A mulher abriu a pasta. “Nos últimos oito meses, várias despesas foram registradas como entretenimento fictício para clientes, relacionado a negócios. Também há despesas de viagem pessoais desviadas por meio de uma conta de fornecedor com sua autorização.”
Vanessa se virou para ele tão rápido que as pernas da cadeira rasparam no chão.
“Andrew”, ela sussurrou.
Ele não disse nada.
A mulher continuou: “O jantar de hoje foi cobrado na conta da Hawthorne Consulting às 17h02, usando um código de fidelidade de cliente. Também vinculamos várias despesas de hotel e presentes à mesma conta.”
Daniel soltou um som amargo ao meu lado. “Aí está.”
Olhei para ele. “Você sabia disso?”
“Não era dinheiro da empresa”, ele disse. “Eu só sabia das suas mentiras.”
À mesa, Andrew finalmente me viu.
Nunca me esquecerei daquele momento.
Nossos olhos encontraram os seus do outro lado do salão, e eu observei a compreensão lentamente o invadir. Primeiro, confusão. Depois, choque. Então veio o cálculo rápido de um homem culpado tentando decidir qual desastre enfrentar primeiro: sua esposa ou seu emprego.
“Claire…” ele disse.
Caminhei em sua direção antes mesmo de perceber que já havia me decidido.
Vanessa olhou dele para mim, depois para Daniel, que estava alguns passos atrás. Sua expressão também mudou. Não era exatamente vergonha. Parecia mais o pânico de alguém que percebe que suas mentiras privadas acabaram de ser expostas.
“Não diga meu nome como se estivéssemos tendo uma conversa normal”, eu disse a Andrew.
Todas as mesas ao nosso redor ficaram em silêncio. Um garçom estava imóvel perto do bar, segurando uma garrafa de vinho.
Andrew se levantou. “Claire, eu posso explicar.”
Dei uma risada curta e gaguejante. “Sério? Comece com a mensagem de aniversário. Ou talvez explique por que nosso casamento está financiando seu caso.”
Vanessa virou a cabeça bruscamente para ele. “Seu casamento?”
Ela fechou os olhos por um instante. Isso foi o suficiente.