Estou presa no trabalho. Feliz segundo aniversário, meu bem. Vou compensar você neste fim de semana.
Às 19h15, eu estava sentada a duas mesas de distância dele em um restaurante lotado de Chicago, observando-o beijar outra mulher como se eu nunca tivesse existido.
Por alguns segundos, fiquei completamente paralisada. Minha mão ainda segurava a pequena sacola de presente que eu havia trazido: um relógio de prata antigo que ele admirara certa vez na vitrine de uma loja. Passei uma hora me arrumando. Cheguei a dirigir até o centro para surpreendê-lo, porque algo em sua mensagem parecia distante, ensaiado. Agora eu entendia o porquê.
Eu estava usando a camisa azul-marinho que lhe dei no Natal passado. Ela riu, uma mão apoiada no queixo, inclinando-se para frente como se não fosse a primeira vez. Não havia hesitação entre eles. Nenhuma tensão. Apenas tranquilidade. Familiaridade. Rotina.
Empurrei a cadeira para trás com tanta força que raspei o chão.
Antes que eu pudesse dar dois passos, um homem parou ao meu lado.
“Não faça isso”, disse ele em voz baixa.
Virei-me bruscamente, com a raiva fervendo dentro de mim. “Como é?”
Ele manteve o tom firme. “Relaxe. O verdadeiro espetáculo está prestes a começar.”
Ele parecia ter uns quarenta anos, alto, elegantemente vestido, e seu rosto refletia uma tensão acumulada há tempos. Ele acenou com a cabeça na direção da mulher sentada com meu marido.
“Meu nome é Daniel Mercer”, disse ele. “A mulher com o marido é minha esposa.”
O cômodo pareceu girar sob meus pés.
“O quê?”