Arturo o observava à distância com um sorriso torto e premeditado. Então, ele se recostou no banco, cruzou os braços, fechou os olhos e relaxou a postura, fingindo um sono profundo, bêbado e em estado de total vulnerabilidade. Seu plano era sádico: esperaria a tentação vencer a suposta inocência do garoto. Assim que o pirralho pegasse as notas, ele o subjugaria violentamente, o humilharia aos gritos na frente dos transeuntes e chamaria a polícia para que ele apodrecesse em um reformatório juvenil.
Cerca de 15 minutos de silêncio sepulcral se passaram. De repente, Arturo aguçou os ouvidos. Ouviu claramente o som de pequenos pés descalços arrastando-se cautelosamente sobre a pedra. Os passos eram lentos, silenciosos, aproximando-se milímetro a milímetro. O coração de Arturo palpitava com a adrenalina tóxica de sua iminente vitória.
Sentiu uma pequena sombra bloquear a luz do poste. A criança estava parada à sua frente. A respiração ofegante do menino denunciava seu terror. Arturo sentiu uma mão gélida aproximar-se furtivamente do bolso onde estavam os 50.000 pesos.