Sou um cirurgião aposentado. Certa noite, um ex-colega me ligou e disse que minha filha havia sido levada às pressas para o pronto-socorro.

PARTE 1

“Se minha filha morrer esta noite, meu genro nunca mais verá a luz do dia.”

Foi o que pensei quando vi as costas de Valeria.

Sou o Dr. Ignacio Robles, cirurgião aposentado. Passei mais de trinta anos abrindo corpos para salvar vidas em hospitais da Cidade do México. Achei que já tinha visto de tudo: acidentes, tiroteios, famílias despedaçadas em salas de espera. Mas nada me preparou para a ligação que recebi às 23h47.

Era o Dr. Víctor Salcedo, meu ex-colega do Hospital San Gabriel.

“Nacho, venha para o hospital agora mesmo”, disse ele, com a voz embargada. “É a Valeria.”

Pulei da cama como se tivesse levado um choque.

“O que aconteceu com ela?”

Houve silêncio.

“Traumatismo craniano grave. Possível agressão. Você precisa ver com seus próprios olhos.”

Em dez minutos, eu estava entrando na sala de emergência, ainda vestindo o suéter com que dormia. Víctor me esperava do lado de fora do box três. Seu rosto estava pálido, mais pálido do que em qualquer uma das terríveis noites que passamos juntos na sala de cirurgia.

“Onde está minha filha?”, perguntei.

Ele não respondeu. Apenas abriu a cortina.

Valéria estava de bruços na maca, sedada, com os cabelos escuros grudados no rosto pelo suor. Seu avental estava rasgado nas costas. A princípio, pensei que aquelas marcas fossem hematomas.

Mas não eram hematomas.

Eram letras.

Alguém havia escrito uma mensagem em sua pele com cortes finos, superficiais e calculados. Não foi um ataque desesperado. Foi algo feito com calma, intencionalmente, com ódio.

Aproximei-me, tremendo.

Em suas omoplatas, lia-se:

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