“Eu cancelei.”
“Por quê?”
“Porque não sou mais sua responsabilidade. Lembra que você me deixou onde, segundo você, eu estaria melhor?”
Houve silêncio.
“Pai, não exagere. Fernanda e eu só queríamos cuidar de você.”
“Cuidar de mim? Você me abandonou no meu aniversário.”
“Você estava colocando sua vida em risco.”
“Não, filho. Eu estava colocando os planos dela em risco.”
Desliguei o telefone.
Dois dias depois, Mateo chegou a Los Jacarandas. Estava sozinho. Não usava gravata. Seus olhos estavam vermelhos e sua barba por fazer.
“Pai, preciso falar com você.”
Concordei em encontrá-lo no jardim, sob um jacarandá que estava coberto de flores roxas.
“Você tem trinta minutos”, eu disse.
Mateo sentou-se à minha frente. Pela primeira vez em anos, ele não parecia um homem confiante, mas sim um menino perdido.
“Fernanda foi embora com a irmã”, murmurou ele. “Ela disse que você arruinou nossas vidas.”
“Eu não arruinei nada. Só parei de pagar.”
Ele baixou a cabeça.
“Eu fui um covarde.”
Essa frase me atingiu mais do que qualquer insulto.
“Sim, Mateo. Você foi.”
Ele começou a chorar.
“Eu sabia que você não estava tão mal assim. Eu sabia. Mas Fernanda disse que, se não agíssemos logo, perderíamos a chance de consertar as coisas, de assumir o controle, de proteger o que um dia seria meu. E eu… eu me deixei convencer. Eu queria uma vida fácil. Queria parar de me preocupar com dinheiro. E acabei usando meu próprio pai.”
Senti vontade de abraçá-lo. Também senti vontade de me levantar e ir embora. O amor de um pai não desaparece, mas também não apaga o estrago.
“E Camila?” perguntei.