Sua voz assumiu aquele tom alegre e teatral que eu me lembrava dos corredores da escola.
“Que engraçado”, eu disse. “A maioria das pessoas demora um pouco para se abrir com alguém.”
“Eu não. Sou boa em julgar as pessoas.”
Deixei a pergunta no ar.
“Então, como foi sua experiência no ensino médio?”, perguntei. “Na sua cidade natal.”
Sua voz assumiu aquele tom alegre e teatral que eu me lembrava dos corredores da escola. Ela começou a contar uma história sobre seu antigo grupo de amigos, aquele que eu já conhecia muito bem.
“Nossa, você ia morrer de rir!”, disse ela. “Tinha um garoto enorme e esquisito que seguia a gente para todo lado. Ele era terrivelmente desajeitado.”
Ela riu, encantada por eu ter perguntado, e mencionou dois apelidos.
Meus dedos permaneceram imóveis ao redor da haste do meu copo.
“Meus amigos e eu inventamos apelidos para ele”, continuou ela. “Só por diversão. A escola era tão chata, sabe?” — Apelidos — repeti.
— É. Cruel. Eu nem devia falar em voz alta.
— “Tenta.”
Ela riu, satisfeita por eu ter perguntado, e mencionou dois dos apelidos. Eu conhecia os dois. Já os tinha ouvido sussurrados pelas minhas costas na aula de química, gritados no refeitório, rabiscados uma vez num armário.
Ela tomou um gole de vinho, satisfeita consigo mesma.
— “Isso parece cruel para ele”, eu disse calmamente.
— “Ah, por favor. Ele provavelmente ainda mora no porão da mãe.” Ela tomou outro gole de vinho, satisfeita consigo mesma.
Dei-lhe outra chance.
Perguntei se ela alguma vez se perguntou o que tinha acontecido com ele. Se alguma vez pensou que talvez as provocações o tivessem magoado mais do que ela pretendia.
— “Sério?” Ela deu de ombros. “Crianças são crianças. Eu precisava me fortalecer.”
A garçonete passou e encheu nosso copo de água. Ela me deu um sorriso pequeno e gentil que pareceu completamente deslocado, e de alguma forma me acalmou mais do que o vinho.
Coloquei meu copo lentamente sobre a mesa.
Madison se inclinou para frente novamente. “Bem, chega de papo furado. Conte-me mais sobre sua empresa. A propósito, li aquele artigo na revista. Muito impressionante.”
Coloquei meu copo lentamente sobre a mesa.
“A revista”, eu disse.
“Hum. Na verdade, foi assim que eu, bem…” Ela riu timidamente, como se tivesse ensaiado. “Ok, confissão. Quando você mencionou o nome da empresa na nossa conversa, eu pesquisei. Vi o anúncio da vaga. Há muito tempo que quero entrar nesse ramo. Pensei, sabe, que poderíamos conversar.”
“Então isso foi uma entrevista de emprego.”
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