“Aquela ali.”
“O que você espera conseguir com isso?”
“Daniel”, ele disse lentamente, “diga que você deu um like.”
“Eu dei um like.”
“Por quê?”
Recostei-me no balcão. A verdade é que eu não sabia.
“Acho que é curiosidade.”
“A curiosidade matou o gato, cara. O que você espera ganhar com isso?”
“Não sei. Talvez nada. Talvez eu só queira ver a cara dela quando descobrir quem eu sou.”
Encarei a janela, meu próprio reflexo brilhando contra as luzes da cidade.
Marcus suspirou. “Isso soa muito como vingança com a jaqueta da curiosidade.”
“Talvez soe mesmo.”
“Olha, você passou dez anos construindo uma vida que não tem nada a ver com ela. Tem certeza de que quer trazê-la de volta para ela, mesmo que seja só por uma noite?”
Olhei pela janela, meu próprio reflexo projetado nas luzes da cidade. “Ela não sabe que sou eu, Marcus. Pela primeira vez, eu decido como essa história termina.”
“E qual versão de você aparece para escrevê-la?”
Pensei no garoto que costumava almoçar na biblioteca.
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Isso me afetou mais do que eu esperava. Disse a ele que pensaria a respeito e desliguei.
Sua próxima mensagem já estava pronta: “Quer tomar um drinque na sexta? Tem um bar de vinhos na Elm que eu adoro.”
Meu polegar congelou. Pensei no garoto que costumava almoçar na biblioteca. Pensei no homem que o ensinou a parar de se desculpar por existir.
“Sextas-feiras são boas”, digitei.
***
A sexta-feira chegou mais cedo do que eu esperava. Eu estava em frente ao espelho do banheiro, amarrando minha gravata, observando o homem que me encarava. Ombros mais largos. Olhos serenos. Um queixo que já não se contraía diante do próprio reflexo.
O garoto de quem ela se lembrava havia sumido.
Mal o reconheci como o garoto que Madison costumava atormentar. Era essa a intenção, lembrei a mim mesmo. Sempre fora essa a intenção.
Ajeitei a gola da minha camisa mais uma vez. O garoto de quem ela se lembrava havia sumido. A questão era qual versão de mim entraria naquele bar de vinhos e qual sairia.
O bar de vinhos estava mais aconchegante do que eu esperava; a luz tênue refletia na borda da taça de Madison enquanto ela se inclinava para a frente como se fôssemos velhos amigos. Ela inclinou a cabeça quando falei.
Ela se lembrou do nome do projeto que eu havia mencionado em nossa conversa depois de marcarmos a data.
“Sabe”, disse ela, afastando o cabelo do rosto, “sinto como se te conhecesse desde sempre.”
Quase sorri de verdade. Quase.
Veja o resto na próxima página.