Eu odiava o ensino médio porque a rainha do baile tornou minha vida um inferno. Doze anos depois da minha formatura, ela me contatou no Tinder sem a menor ideia de quem eu era.

Lá estava. O calor humano. As perguntas atenciosas. O “Sinto como se te conhecesse a vida toda”. Tudo isso entrelaçado em uma proposta de venda que quase confundi com interesse genuíno.

“Então isso foi uma entrevista de emprego?”, perguntei.

“Não, não, não foi isso.” Ela se inclinou sobre a mesa e tocou meu pulso. “Eu gosto muito de você. É que pensei, por que não os dois?”

“Os dois”, repeti.

“Você é bem-sucedida. Você é gentil. Parece ser o tipo de pessoa que gosta de ajudar os outros.” Ela sorriu docemente e naturalmente. “E agora eu preciso de uma mãozinha. Não é crime, né?”

Inclinei-me para a frente e repeti os apelidos. Palavra por palavra.

Olhei para ela. Olhei mesmo. Os mesmos olhos que riram de mim do outro lado da cafeteria doze anos atrás, em um rosto que havia aprendido novos truques, mas conservava seus instintos antigos.

Ela continuou falando, algo sobre networking, algo sobre como era raro encontrar alguém com quem eu me conectasse.

Deixei-a terminar. Eu devia isso a mim mesmo, ouvir cada palavra, para que depois eu não tivesse dúvidas sobre o que eu tinha me metido. Então peguei meu copo, tomei um gole lento e decidi exatamente como tudo isso ia terminar.

Esperei até que ela parasse de rir. Então me inclinei para a frente e repeti os apelidos para ela. Palavra por palavra. Os que só o alvo dela lembraria.

O reconhecimento a atingiu instantaneamente.

O sangue sumiu do seu rosto.

“Meu nome é Daniel”, eu disse suavemente. “Só Daniel.”

A ficha caiu instantaneamente. Ela abriu a boca, fechou, abriu de novo.

“Ai, meu Deus. Daniel, eu… eu não… Você está tão diferente, eu…”

“Eu sei.”

“Isso foi há muito tempo. Éramos crianças. Eu era um tolo.”

Então as lágrimas começaram. Naquele instante.

Ali estava. O verdadeiro motivo pelo qual eu tinha dado um like.

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“Por favor, tive um ano muito difícil. Vi sua empresa naquela revista e pensei que, talvez, se vocês pudessem me ajudar, mesmo que fosse apenas com uma entrevista, eu ficaria muito grata.”

Ali estava. O verdadeiro motivo pelo qual eu tinha dado um like.

Veja o resto na próxima página.

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