Não insisti. Simplesmente coloquei minha mão sobre a dele, e ele virou a palma para cima para pegar a minha.
Era o Daniel. Uma frase inteira em um único gesto.
“Você não está ficando mais jovem.”
Meu celular vibrou contra o corrimão da varanda. Era a Diane, claro.
“Margie, você não faz ideia do píer que o Roger está construindo na casa do lago!” Ela nem esperou por um cumprimento. “De cedro. Feito sob medida. As senhoras do clube de campo adoram.”
“Que gentileza sua, Diane.”
“O que você está fazendo? Ainda lendo sozinha?”
Olhei para o Daniel. Ele estava sorrindo à luz da varanda como se tivesse acabado de me contar uma piada.
“Algo assim.”
“Você deveria sair mais, querido”, disse Diane, rindo. “Você não é mais tão jovem.”
“Eu sei.”
“Eu gostaria de ser seu homem, se você quiser.” “Estou falando sério”, continuou minha irmã. “Isso está ficando patético!”
Desliguei o telefone com cuidado, como sempre fazia, e deixei o silêncio preencher a varanda novamente.
Daniel enfiou a mão no bolso do paletó. Não se ajoelhou. Simplesmente abriu a palma da mão e encontrou um pequeno anel, simples e aconchegante.
“Não sou rico, Margaret”, disse ele, com a voz calma, mas firme. “Mas gostaria de ser seu homem, se você me permitir.”
Minhas mãos tremiam.
“Daniel, eu tenho 56 anos.”
“E eu tenho 58! Estamos na hora certa, Margie.”
Eu ri. Eu chorei. Então, assenti com tanta força que a luz da varanda ficou embaçada.
“Sim.” A palavra mal saiu. “Sim!”
Ela riu. Uma risada alta e estridente, uma risada que rangia os dentes.
Daniel colocou o anel no meu dedo e beijou meus nós dos dedos como se fossem sagrados. Pela primeira vez em décadas, senti a terra tremer sob meus pés, como se ansiasse por algo bom. Mal sabia eu que um simples telefonema para minha irmã colocaria à prova a alegria que eu acabara de ousar experimentar.
Na noite em que liguei para Diane para contar sobre o nosso noivado, eu estava sentada à mesa da cozinha, minha mão ainda quente de onde Daniel havia colocado o anel uma hora antes.
Disquei o número dela e prendi a respiração.
“Diane, tenho novidades. Daniel me pediu em casamento! Vamos nos casar na primavera.”
Houve silêncio. Então ela caiu na gargalhada. Uma gargalhada alta e estridente, uma risada que rangia os dentes.
“Você se contenta com menos porque tem medo de morrer sozinha neste apartamento minúsculo.”
“Margie, querida. Você não pode estar falando sério!”
“Estou falando sério. Já escolhemos a data.”
Você tem 56 anos! E ele é um faz-tudo. Um velho sem um tostão. Querida, é realmente triste.
Apertei os dedos contra a borda da mesa até doerem.
“O Daniel é gentil. Ele me faz feliz.”
“Ele faz você se sentir menos sozinha. É diferente. Você se resigna porque tem medo de morrer sozinha neste apartamento minúsculo.”
Não obtive resposta. Então desliguei.
Cada conversa me consumia um pouco mais.
Uma semana depois, as ligações começaram.
Minha prima Lorraine ligou, cautelosa como um gato em cima de vidro.
“Margaret, querida, a Diane mencionou o casamento. Ela disse que era uma festa para idosos enlutados. Ela só queria saber como você estava.”
Tia Bev também ligou, a voz carregada de pena disfarçada de preocupação.
“Você tem certeza sobre esse homem, querida? A Diane disse que ele nem tem casa.”
Cada conversa me corroía um pouco mais.
Uma noite, sentei na beira da cama e chorei como não chorava desde a morte do meu pai. “Mas e se eu voltar lá para cima e todo mundo pensar no que ela disse?”
Daniel me encontrou lá. Ele se sentou e pegou minha mão.