“Maya”, disse ele, “decidimos não pagar pela Northlake State.”
Por um instante, a frase pareceu resistir a se concretizar.
A Northlake State não era Briarwood, mas era uma boa universidade. Uma universidade pública de prestígio, com um excelente departamento de economia, mensalidades razoáveis e que incorporava os valores sensatos que meu pai sempre dizia defender. Eu havia conquistado minha vaga.
Eu havia estudado até tarde, mantido notas excelentes, ajudado em casa, trabalhado discretamente e me candidatado sem exigir nada em troca. Eu não buscava prestígio. Não pedia luxos. Eu simplesmente queria um novo começo.
“Não entendo”, eu disse.
Meu pai recostou-se e juntou as mãos. Grant estava convencido de que qualquer decisão poderia parecer certa se ele a explicasse com calma suficiente. Ele era dono de uma pequena empresa de reformas comerciais em Denver, Colorado, e durante toda a nossa infância, nos ensinou que dinheiro era produto da disciplina, o sucesso das decisões e as emoções, o único recurso contra a realidade. “Sua irmã tem um dom excepcional para relações humanas”, disse ela. “Briarwood é o lugar perfeito para ela. Ela sabe como construir relacionamentos. Este ambiente permitirá que ela alcance todo o seu potencial.”
Amber estava perto da lareira, a carta ainda na mão, um ombro virado para o espelho. Tínhamos os mesmos olhos cor de avelã, o mesmo cabelo loiro-mel, o mesmo aniversário, até o minuto. Mas a vida sempre nos colocou em perspectivas diferentes. A autoconfiança de Amber preenchia qualquer ambiente em que entrasse. A minha esperava na porta, como se pedisse permissão.
“E eu?”, perguntei.
Minha mãe baixou o olhar.
Meu pai fez uma pausa, tempo suficiente para me dar esperança.
“Você é inteligente”, disse ele. “Ninguém contesta isso. Mas você não se destaca da mesma forma. Não prevemos o mesmo retorno do investimento a longo prazo.”
Retorno.
Essa palavra doía mais porque não era inocente. Era honesta.
Amber era um investimento. Eu era um fardo.
“Então eu tenho que me virar sozinha?”, perguntei.
Ela deu de ombros levemente, como alguém que já decidiu que a dor pertence a outra pessoa.
“Você sempre foi independente.”