De repente, as imensas portas da igreja se abriram de par em par.
O barulho foi tão alto que todos congelaram.
Um homem de terno cinza caminhou pelo corredor central. Era Arturo Salcedo, advogado de Julián. Duas pessoas o seguiam, cada uma carregando uma pasta preta e uma tela portátil.
Sua voz era firme e fria.
“De acordo com as rigorosas instruções do Sr. Julián Mendoza, nenhum funeral será realizado antes da divulgação deste vídeo.”
Dona Teresa sorriu orgulhosamente, como se pensasse que fosse uma homenagem a ela.
Mas quando o rosto do meu marido apareceu na tela e ele pronunciou a primeira frase, minha sogra empalideceu.
Ela não conseguia acreditar no que estava prestes a acontecer.
PARTE 2
A imagem de Julián preencheu a tela em frente ao altar.
Este não era um vídeo de despedida qualquer. Sem música triste, sem slideshows de família, sem lembranças queridas. Julián estava sentado em seu escritório, vestindo a mesma camisa azul que usara dois dias antes de sua morte. Seu rosto parecia cansado, seus olhos escuros, mas seu olhar era firme.
“Se você pensar bem”, disse ele, “significa que eu não consegui chegar ao meu próprio funeral.”
Um profundo silêncio pairou sobre a igreja.
Levei a mão à boca. Vê-lo tão perto e, ao mesmo tempo, tão inacessível quebrou algo dentro de mim.
Durante a gravação, Julián respirou fundo.
“Primeiro, gostaria de falar com minha esposa, Mariana. Meu amor, me perdoe por não lhe contar tudo. Eu não queria preocupá-la. Mas, por semanas, eu sabia que algo estava errado.”
Dona Teresa apertou os lábios. O sorriso de Fernanda desapareceu.
“Nosso filho é meu, sim”, continuou Julián. “Tenho três testes de paternidade de três laboratórios diferentes, todos autenticados por um tabelião e assinados pelas autoridades competentes.”
Os documentos lacrados, as datas e as assinaturas foram exibidos na tela. O teste que Dona Teresa havia realizado no caixão fora desmascarado: uma farsa.
Os presentes na igreja começaram a murmurar com raiva.
Dona Teresa elevou a voz.
“Pode ser falsificado! É manipulação!”
Arturo não se mexeu.
“O vídeo continua.”
Julián olhou diretamente para a câmera.
“Deixo meu sobrenome, meus bens e todas as ações que adquiri com meu trabalho para meu filho. Tudo está protegido em um fundo fiduciário irrevogável em nome de Mariana e do bebê. Ninguém pode tocar nisso. Nem minha mãe. Nem minha irmã. Nem nenhum sócio que possam ter subornado.”
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