Meu filho morreu em um acidente de carro aos dezenove anos. Cinco anos depois, um menino com a mesma marca de nascença sob o olho esquerdo entrou na minha sala de aula.

“Senhorita Rose, olha o meu!”

“Lindo, Caleb. É um cachorro ou um dragão?”

“Os dois!”

Era isso que me dava forças.

Era mais uma segunda-feira quando tudo mudou. Estacionei no meu lugar de sempre e sussurrei: “Que hoje seja importante”, antes de entrar ao som do sinal da manhã.

Às 8h05, a diretora apareceu na minha porta, séria.

“Senhorita Rose, posso falar com você?”

Ela chamou um garotinho que segurava uma capa de chuva verde. Ele tinha cabelos castanhos um pouco compridos e olhos grandes e curiosos.

“Este é o Theo. Ele acabou de se transferir.”

Theo ficou parado, segurando a alça da sua mochila de dinossauro.

“Olá, Theo. Sou a Sra. Rose. Estamos felizes que você esteja aqui.”

Ele se mexeu, inclinou a cabeça levemente e deu um pequeno sorriso torto.

Foi aí que eu vi.

Uma marca de nascença em forma de crescente abaixo do olho esquerdo.

Owen tinha uma exatamente no mesmo lugar.

Meu corpo reagiu antes que minha mente pudesse processar. Segurei a mesa para não cair. Bastões de cola caíram no chão com um estrondo.

“Não aconteceu nada grave”, eu disse rapidamente quando as crianças se assustaram.

Mas por dentro, tudo estava em frangalhos.

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A voz de Theo depois, suave e educada, parecia uma lembrança de vinte anos atrás. Continuei andando, continuei ensinando, porque se eu parasse, poderia desmaiar na frente de vinte crianças.

Quando as aulas terminaram, fiquei por ali sob o pretexto de organizar o material. Na verdade, eu estava esperando.

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