Mas por baixo da rotina e das canções alegres, carrego o peso de um mundo que perdeu uma pessoa.
Antes eu acreditava que a dor diminuiria com o tempo.
Minha vida terminou na noite em que perdi Owen. A parte mais difícil não é o funeral nem o silêncio na casa, mas como o mundo continua girando como se o meu não tivesse sido despedaçado.
Eu costumava acreditar que a perda iria sarar.
Eu tinha dezenove anos quando recebi a ligação.
Lembro-me das minhas mãos tremendo enquanto atendia, a caneca de chocolate quente dela, pela metade, ainda morna no balcão.
“Rose? É a mãe do Owen?”
“Sim. Quem está falando?”
“Aqui é o policial Bentley. Sinto muito. Houve um acidente. Seu filho…”
As palavras ficaram confusas depois disso. Um táxi. Um motorista bêbado. “Ele não se machucou”, disse o policial gentilmente.
Não me lembro se respondi.
“Ele não se machucou.”
Os dias seguintes transcorreram entre ensopados, condolências gentis e orações sussurradas. Os vizinhos iam e vinham. A Sra. Grant colocou uma lasanha em minhas mãos e me disse que eu não estava sozinha. No cemitério, o Pastor Reed se ofereceu para me acompanhar até o túmulo.
“Estou bem”, insisti, embora meus joelhos estivessem tremendo.
Ajoelhei-me e coloquei a mão na terra. “Owen, eu ainda estou aqui, querido. Mamãe ainda está aqui.”
Cinco anos se passaram sem que eu percebesse. Continuei na mesma casa, me dediquei ao ensino e sorri para os desenhos tortos e brilhantes feitos com giz de cera.