Com parte da herança, comprei uma casa grande em Cholula, com jardim e buganvílias, onde preparei um quarto para Camila e outro para mim. Comprei também Los Jacarandas, não para morar lá, mas para transformá-la. Mudei o nome para Casa Rosario, em homenagem à minha esposa, e a transformei em um centro onde idosos pudessem receber cuidados, participar de oficinas e ter companhia sem se sentirem abandonados.
Dona Lucía continuou como diretora. Valeria, advogada, administrava a fundação. Mateo, depois de se separar de Fernanda, começou a dar aulas gratuitas de matemática aos moradores aos sábados, para ensiná-los a usar o celular ou a gerenciar suas contas. No início, fazia isso por culpa. Depois, por amor.
Fernanda tentou voltar quando soube da herança. Mandou mensagens, flores e longos pedidos de desculpas. Nunca respondi. Não lhe desejava mal, mas aprendi que fechar uma porta também pode ser uma forma de paz.
Um ano depois, comemorei meu septuagésimo primeiro aniversário no jardim da Casa Rosario. Havia mole, arroz vermelho, água de hibisco e um enorme bolo decorado por Camila. Mateo chegou cedo, sem pasta, sem papéis, sem pressa. Ele trazia um presente simples: um álbum com fotos antigas que havia resgatado da minha casa.