Na última página havia uma foto dele criança, dormindo no meu peito. Embaixo, ele escreveu:
“Obrigado por nunca deixar de ser meu pai, mesmo quando eu me esqueci de ser seu filho.”
Chorei na frente de todos. Não me envergonhei.
Quando apaguei as velas, Camila me perguntou qual era o meu desejo.
Olhei para Mateo. Ele sorriu para mim, com os olhos cheios de lágrimas.
“Desejei algo que já se realizou”, respondi. “Que esta família aprendesse que o amor não se herda, se cultiva.”
E naquela tarde, enquanto as pétalas de jacarandá caíam sobre o pátio como uma chuva roxa, entendi que meu tio Evaristo não havia me deixado apenas uma fortuna. Ele havia me deixado uma segunda chance.
Não para buscar vingança.
Mas para recuperar minha dignidade, escolher minha paz e descobrir que até mesmo um coração partido pode encontrar um novo lar.