A hipótese geral, discutida discretamente entre café e uísque, era de que alguma desgraça lhe havia acontecido nas montanhas. Talvez tivesse caído de um penhasco enquanto fazia um levantamento topográfico. Talvez tivesse sido atacado por um urso. Talvez simplesmente tivesse decidido partir para outro emprego sem avisar ninguém. Homens desapareciam naquelas montanhas. Era um fato.
Quatro anos depois, na primavera de 1902, outro homem desapareceu. O reverendo Jacob Whitmore era um pregador itinerante que viajava pelas comunidades isoladas do Condado de Wise, levando as Sagradas Escrituras e o batismo a famílias que viviam longe demais de qualquer igreja.
Ele era conhecido por sua bondade, por sua disposição em dormir em celeiros e aceitar qualquer pagamento modesto que as famílias pudessem oferecer. Certa manhã de domingo, ele foi visto subindo a trilha da crista da montanha, com a Bíblia debaixo do braço, dizendo a um fazendeiro que pretendia visitar algumas famílias que viviam no alto das montanhas. Ele nunca mais voltou ao vale.
Seu desaparecimento chocou as pessoas mais do que o de Hayes, porque Whitmore era um homem de fé, amado por muitos. Equipes de busca vasculharam as trilhas, mas não encontraram nada. No fim, a teoria mais provável era a de um acidente trágico, talvez uma queda ou uma doença súbita que o levou a algum desfiladeiro escondido onde seu corpo jamais seria encontrado. Em 1908, cinco homens desapareceram naquele mesmo trecho de estrada na montanha, cada um sumindo no ar, cada um explicado pelos perigos da região selvagem.