Foi em um desses vales isolados, um lugar que os moradores chamavam de Goen’s Ridge, que uma família construiu uma vida para si, longe dos olhares curiosos dos vizinhos. A família Goyne já foi bem conhecida na comunidade, discreta, exceto pela reputação de mineiros de carvão trabalhadores. Mas tudo mudou em 1878, quando Samuel Goens, o patriarca da família, perdeu a vida em um acidente de mineração que causou o desabamento de metade de um poço, levando consigo outros três homens.
A viúva, Eliza, viu-se sozinha para criar três filhos pequenos. Por um tempo, as pessoas a viam na cidade: uma mulher austera, vestida de preto, que mantinha os filhos por perto e falava pouco. Então, aos poucos, a família se afastou. As crianças pararam de frequentar a escola primária de uma única série. Eliza parou de ir ao supermercado.
Caçadores que se aventuravam perto demais da propriedade da família contavam que eram recebidos rudemente pelos filhos adultos, agora na casa dos vinte anos, que os advertiam para irem embora. Aparentemente, a família Goen não queria ter contato com o mundo exterior, e o mundo exterior, acostumado a respeitar a privacidade familiar, atendeu aos seus desejos.
O primeiro desaparecimento que mais tarde seria associado à cordilheira ocorreu no final do verão de 1898. Um geólogo chamado Martin Hayes havia sido contratado por uma empresa de carvão para mapear possíveis locais de mineração na parte oeste do condado. Ele era um homem metódico e solteiro de Richmond que escrevia cartas semanais para sua irmã.
Quando as cartas pararam de chegar e Hayes não retornou à sua pensão, seu empregador perguntou por ele. A dona da pensão relatou que Hayes havia mencionado que iria subir às altas montanhas, em direção aos cumes onde poucas pessoas viviam. Uma busca rápida foi realizada, mas a área era vasta e Hayes não era dali.