Olhei em volta.
As placas indicavam apenas os banheiros, as lojas e as portas de entrada.
Os homens do meu pai estavam se aproximando.
O som dos seus sapatos de couro no chão estava ficando mais alto.
Mantenha a calma.
Sofia Ferri, você precisa manter a calma.
Minha mãe me trouxera até aqui. Isso significava que ela achava que eu conseguiria escapar.
Levantei-me num pulo, peguei minha mala e caminhei rapidamente em direção ao banheiro.
Quase me joguei lá dentro.
O banheiro feminino estava vazio.
Tranquei-me na última cabine, tranquei a porta, encostei-me nela e respirei fundo.
Eu podia ouvir passos do lado de fora.
“Procure por ele. Verifique com cuidado.”
A voz do meu pai era fria.
“Ele não está na porta.”
“Os banheiros, as lojas, não ignore nada.”
Cubri a boca com a mão, sem ousar fazer nenhum som.
Tudo havia acabado.
Eles estavam revistando uma cabine após a outra.
Naquele exato momento, a descarga do vaso sanitário da cabine ao lado foi acionada.
Uma faxineira saiu empurrando seu carrinho.
Ao ver os homens de preto, ela se enrijeceu.
Uma ideia me ocorreu.
Abri a porta com um puxão e saí.
A mulher deu um pulo.
Não expliquei nada. Empurrei todo o dinheiro que tinha na mão.
“Senhora, me ajude.”
Minha voz tremia.
“Me empreste seu chapéu e sua jaqueta.”
Os passos se aproximavam.
A mulher olhou para o dinheiro, depois para mim, e rapidamente me entregou as roupas.
Vesti-as rapidamente e apontei para a cabine.
“Esconda-se aqui. Não saia.”
Ela assentiu.
Abaixei-me e empurrei o carrinho de limpeza para fora.
Logo na entrada, dois homens de terno preto estavam prestes a entrar.
Meu pai não estava longe, de costas para mim, falando ao telefone.
Senti como se meu coração estivesse por um fio.
“Afastem-se”, disse um dos homens.
Abaixei a cabeça e empurrei o carrinho.
Eles entraram.
Chegou a hora.
Empurrei o carrinho e quase corri na direção oposta.
Cabeça baixa.
Não me atrevi a olhar.
Senti aquele olhar frio nas minhas costas.
Mas ninguém me impediu.
Para eles, eu era apenas mais uma faxineira.
Um passo.
Dois passos.
Três passos.
Cada passo era como andar na lâmina de uma navalha.
Finalmente… consegui sair do campo de visão deles.
Não me atrevi a parar.
Ao virar a esquina, vi uma pequena porta.
“Apenas pessoal autorizado.”
Abandonei o carrinho imediatamente, abri a porta e entrei sorrateiramente.
Lá dentro havia um corredor estreito, mal iluminado, com um forte cheiro de desinfetante.
Corridas.
Corri por um tempão.
Uma luz apareceu diante de mim.
Empurrei a porta.
O vento noturno e o cheiro de fumaça de escapamento me envolveram.
O estacionamento a céu aberto do aeroporto.
Eu… tinha fugido.
Encostei-me na parede e minhas pernas fraquejaram.
Era como se toda a força tivesse sido arrancada do meu corpo.
Procurei meu celular no bolso.
Mas esbarrei em algo duro.
Uma chave.
A chave de um armário com uma etiqueta com um endereço.
Congelei.
Não era minha.
Era da minha mãe.
Durante aquele abraço de três minutos… ela a colocou no meu bolso.
Além da passagem aérea, ela havia me deixado outra saída.
Parte 3
Encarei aquela chave como se fosse uma resposta enviada do céu.
A etiqueta dizia simplesmente: Estação Central, Depósito B-17.
Meu coração ainda batia tão forte que eu mal conseguia respirar. Meu pai estava dentro do aeroporto, seus homens revistavam cada canto, e minha mãe… minha mãe havia previsto tudo.
Não era falência.
Ou pelo menos, não só isso.
Sinalizei para um táxi com a mão trêmula.
“Estação Central. Rápido!”
O taxista olhou para mim pelo retrovisor, talvez notando o casaco da minha faxineira, meu rosto pálido, meu cabelo despenteado.
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