O velho bateu suavemente na porta.
Aproximei-me. O velho virou-se num instante, mas eu me abaixei atrás de uma árvore antes que ele me visse. Ouvi a porta abrir.
“Você disse para avisar se alguém perguntasse sobre a jaqueta…” disse o velho.
Espiei por trás da árvore. Quando vi quem estava parado na porta daquela casa velha e dilapidada, pensei que fosse desmaiar. “Daniel!” Tropecei até a porta. Meu filho olhou para cima. Seus olhos se arregalaram de medo.
Uma sombra se moveu atrás de Daniel. Ele olhou por cima do ombro, para mim, e então fez a última coisa que eu esperava. Ele correu.
“Daniel, espere!” Acelerei o passo, passando pelo velho e entrando na casa. Uma porta bateu com força. Corri pelo corredor e entrei na cozinha. Abri a porta dos fundos bem a tempo de ver Daniel e uma menina correndo para a mata. Corri atrás deles, gritando o nome dele, mas eles eram muito rápidos. Eu os perdi.
Dirigi direto para a delegacia mais próxima e contei tudo ao policial da recepção.
“Por que ele fugiria de você?”, perguntou ele.
“Não sei”, respondi. “Mas preciso da sua ajuda para encontrá-lo antes que ele desapareça de novo.” “Vou emitir um alerta, senhora.” Sentei-me. Cada vez que a porta se abria, meu corpo inteiro enrijecia. Eu me fazia as mesmas perguntas repetidamente: E se ele já estiver em um ônibus? E se ele tiver ido embora? E se essa for minha única chance?
Por volta da meia-noite, o policial se aproximou de mim. “Nós o encontramos. Ele estava perto do terminal rodoviário. Estão trazendo-o agora mesmo.” Uma onda de alívio me invadiu. “E a garota que estava com ele?” “Ela estava sozinha.”
Levaram Daniel para uma pequena sala de interrogatório. Só percebi que ele estava chorando quando senti as lágrimas no meu rosto. “Você está vivo. Você tem ideia do quanto eu fiquei preocupado? E quando finalmente te encontrei… Por que você fugiu de mim?” Ele olhou para a mesa. “Eu não fugi de você.”
“Então o que…?” “Eu fugi da Maya.”
E então ele me contou tudo. Nas semanas anteriores ao desaparecimento de Daniel, Maya havia se confidenciado com ele. Ela contou que seu padrasto estava cada vez mais instável e imprevisível. Ele gritava e quebrava coisas quase todas as noites. “Ele disse que não podia mais ficar lá”, disse Daniel. “Ele estava com medo.” “Eu o encontrei, eu acho. Fui até a casa dele para perguntar se ele sabia o que tinha acontecido com você, e um homem atendeu a porta. Ele me disse que Maya estava na casa dos avós.” Daniel balançou a cabeça. “Ele mentiu.”
Recostei-me na cadeira. “Todo esse tempo… mas por que ela não contou para um professor? E o que isso tem a ver com você ter fugido?” “Ela achava que ninguém acreditaria nela, e eu… eu não sabia o que fazer.” O rosto de Daniel se contraiu. “Ela veio para a escola naquele dia com a mochila já pronta. Ela me disse que ia embora à tarde. Tentei convencê-la a ficar, mas ela não me ouviu.” “Então você foi com ela.” “Eu não podia deixá-la ir sozinha, mãe. Eu queria ligar para você tantas vezes.” “Por que você não ligou?” “Porque eu prometi à Maya que não contaria a ninguém onde estávamos.” Ele engoliu em seco. “Ela achou que, se alguém nos encontrasse, a mandariam de volta.” “E hoje, quando você me viu?” “Ela estava com medo de que a polícia a encontrasse.”