“O que vou te contar… sua avó nunca teve a chance de te explicar.”
Um arrepio percorreu meu corpo.
“Ela não era sua avó biológica”, disse Desiree gentilmente.
Balancei a cabeça. “Não. Ela me criou. Ela…”
“Eu sei”, disse Desiree rapidamente. “E ele te amava. Isso era verdade. Tudo.”
“Então, o que você quer dizer?”
“Anos atrás, sua avó te encontrou.”
Minha mente ficou em branco.
“Você me encontrou?”
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“Nos arbustos”, disse Desiree suavemente. “Perto da trilha que ela costumava pegar para casa. Você era um recém-nascido, cuidadosamente enrolado, com aquele colar em volta do pescoço.”
Eu a encarei.
“Isso não é possível.”
“Sim”, ela disse. “Foi ela quem te trouxe aqui. Ela não sabia o que fazer. Não havia bilhete, nem documento de identidade. Só você… e aquele colar.”
“Ela tentou encontrar sua família”, continuou Desiree. “Nós duas tentamos. Checamos relatórios, fizemos perguntas, seguimos todas as pistas. Mas não encontramos nada. Nenhum nome, nenhum detalhe.”
“Então ele simplesmente… me manteve com ele?”
“Ele fez tudo certo”, assegurou Desiree. “Os procedimentos legais, a papelada. No fim… você se tornou dele.”
Um nó se formou na minha garganta. “Por que você não me contou?”
“Porque eu não queria que você se sentisse deslocada.”
“E o colar?”, perguntei.
“Foi aí que tudo mudou”, disse Desiree. “Não era um objeto comum. O design, o trabalho artesanal… sugeria algo antigo, algo precioso. Decidimos investigar mais a fundo.”
“O que vocês descobriram?”
“Não é o suficiente”, admitiu ela. “Mas tudo o que você precisa saber é que ela vinha de um círculo muito fechado. O tipo de gente que não perdoa coisas assim… a menos que algo realmente sério tenha acontecido.”
Um arrepio percorreu minha espinha.
“Sua avó me ajudou a abrir minha primeira loja”, continuou Desiree. “Foi assim que tudo começou. Com o tempo, expandi, fiz contatos e fiquei de olho em tudo.”
“Para mim?”, perguntei.
“Por causa do colar”, corrigiu-a. “Porque sabíamos que um dia ele poderia nos levar de volta à sua família.”
“E depois que sua avó desapareceu, continuei procurando por ela durante 20 anos. Assumi isso como minha responsabilidade. Eu não ia deixar essa história inacabada.”
Engoli em seco. “E agora?”
“Depende de você”, disse ela.
“Você realmente acha que pode encontrá-los?”
Sua resposta foi firme: “Eu já encontrei.”
Levantei a cabeça bruscamente. “O quê?”
Ela assentiu. “Levei anos: cruzando informações, rastreando origens, usando canais privados. Mas finalmente… encontrei uma correspondência.”
Meu coração disparou. “Tem certeza?”
“Eu não estaria aqui se não tivesse.”
“O que fazemos?”
“Com sua permissão… eu ligo para eles.”
Respirei fundo. “Pode ligar.”
A ligação foi breve, calma e direta.
Quando ela desligou, olhou para mim.
“Eles querem se encontrar com você. Amanhã. Aqui ao meio-dia.”
Eu estava apavorada, mas precisava de respostas.
Apenas para fins ilustrativos.
Na manhã seguinte, voltei à loja.
A campainha tocou.