Tentei penhorar o colar da minha avó para pagar o aluguel, mas o catador de sucata empalideceu e disse que estava me esperando há vinte anos…

Hesitei por um instante, depois coloquei o colar no balcão como se tivesse medo que ela me mordesse.

“Preciso vendê-lo.”

Ela mal olhou para ele antes de suas mãos congelarem. Seus olhos se fixaram no colar, e a cor sumiu de seu rosto tão rápido que pensei que ela fosse desmaiar.

“Onde você conseguiu isso?”, ela sussurrou.

“Era da minha avó”, eu disse, irritada com a demora. “Olha, eu só preciso do suficiente para pagar o aluguel.”

“Qual era o nome dela?”

“Merinda. Merinda L. Por quê?”

Ela abriu a boca, depois fechou-a novamente, antes de cambalear para trás como se tivesse levado um choque no balcão.

“Senhorita… a senhora precisa se sentar”, murmurou, agarrando a borda.

Meu sangue gelou.

Continua na próxima página. “É falso?”, perguntei nervosamente.

“Não”, ela sussurrou. “É verdadeiro.” Então, com os dedos trêmulos, ela pegou um telefone sem fio e discou o número de discagem rápida.

“Consegui”, disse ela rapidamente. “O colar. Está aqui.”

Um arrepio percorreu minha espinha.

“Para quem você está ligando?”, perguntei peremptoriamente.

Ela cobriu o fone com a mão, os olhos arregalados.

“Senhorita… O professor está procurando por você há 20 anos!”

Antes que eu pudesse reagir, ouviu-se o clique de uma fechadura atrás da loja. A porta dos fundos se abriu.

E quando vi quem entrou, soltei um suspiro de espanto.

“Quer um pouco?!”

Ela parecia mais velha agora — seus cabelos eram grisalhos, seus traços mais delicados — mas se portava exatamente como eu me lembrava: elegante, serena, com uma elegância natural.

Ela era a melhor amiga da minha avó.

Desiree costumava me visitar com frequência, trazendo doces e contando histórias que eu era muito jovem para entender. Eu não a via há anos.

No instante em que nossos olhares se encontraram, algo dentro dela se quebrou, como se ela tivesse tentado manter a calma por tempo demais.

“Eu estava te procurando”, disse ela suavemente, e me abraçou.

Quente. Familiar. Inesperado.

A princípio, fiquei rígido, mas aos poucos relaxei.

“O que está acontecendo?”, perguntei quando ela se afastou.

“Você se parece muito com ela”, murmurou.

“Nana?”

Ela assentiu e se virou para o homem. “Certo, Samuel. Eu cuido disso.”

Ele assentiu rapidamente, aliviado.

Franzei a testa. “Por que ele te chamou de ‘o professor’?”

Desiree suspirou aliviada. “Porque este lugar é meu, e outros três do outro lado da cidade. Ele diz que eu ajo como um chefe, mas não sou.”

Apenas para fins ilustrativos.

Isso me surpreendeu, mas não tanto quanto o que aconteceu em seguida.

Seu olhar recaiu sobre o colar.

“Por isso eu estava te procurando”, disse ele suavemente.

“Por quê?”, perguntei.

Ele apontou para uma cadeira. “Por favor, sente-se.”

Obedeci, incomodada com seu tom de voz.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *