Houve um longo silêncio na linha, uma pausa tão longa que por um segundo pensei que a ligação tivesse caído. A arrogância e a certeza absoluta de Robert pareceram evaporar instantaneamente, substituídas por uma respiração pesada e irregular. Ele não sabia o que dizer; a realidade acabara de demolir o muro de desculpas que ele havia construído para proteger seu orgulho e sua carteira.
“Estou a caminho”, ele conseguiu murmurar antes de desligar abruptamente.
Voltei para o quarto onde Maya já descansava em uma cama ajustável, conectada a um soro que lhe fornecia os primeiros fluidos de suporte à vida. Embora ainda estivesse pálida, a medicação para dor parecia ter lhe dado um pequeno alívio, permitindo que suas pálpebras finalmente se fechassem em um sono tranquilo. Sentei-me na poltrona ao lado dela, observando o lento movimento de seu peito. A batalha pela saúde da minha filha estava apenas começando, e a atmosfera naquele hospital parecia o prelúdio de uma profunda transformação que mudaria nossa família para sempre.