Para a família Morrison, eu era simplesmente a ex-esposa grávida inconveniente, uma mulher a ser tolerada, ridicularizada e, por fim, descartada.

Capítulo 2: O Erro Que Eles Não Viram
Por um instante, ninguém se mexeu.

O lustre brilhava sobre nós. Os talheres estavam ao lado dos pratos intocados. Jessica, a irmã de Brendan, abafou uma risada com a taça de vinho, enquanto Diane me olhava com a satisfação orgulhosa de uma mulher que acreditava que o poder era herdado pelo nome.

Então meu filho chutou.

Foi forte, repentino e me fez parar. Um lembrete interno de que eu não estava mais lutando sozinha. O medo que me mantivera em silêncio por meses começou a se dissipar, não dramaticamente, mas suavemente, como se uma cortina estivesse sendo aberta.

Enfiei a mão na minha bolsa, com os dedos molhados, e peguei meu celular.

O sorriso de Brendan se alargou. “Ligando para alguém vir te buscar, Cassidy?”

Não respondi.

A tela piscou, molhada, mas ainda acesa. Minhas mãos estavam frias, mas minha voz estava firme enquanto eu procurava o número de Arthur e apertava o botão de chamada. Então, coloquei o telefone no viva-voz no meio da mesa de jantar.

Capítulo 3: Protocolo Sete
Arthur atendeu no segundo toque.

“Cassidy?”, disse ele, com um tom imediatamente alerta. Arthur Vale, vice-presidente executivo do departamento jurídico, não tinha papas na língua. Ele sabia melhor do que ninguém o que meu nome significava dentro da Morrison Global, mesmo que a família ao meu redor tivesse optado por esquecê-lo.

Encarei Brendan enquanto a água continuava a pingar do meu cabelo. “Arthur”, eu disse, “ative o Protocolo Sete.”

A atmosfera mudou.

O sorriso zombeteiro de Diane desapareceu. Jessica abaixou a taça. Brendan estreitou os olhos, procurando em meu rosto a observação espirituosa de que tanto precisava.

Arthur ficou em silêncio por um momento. Quando falou novamente, sua voz estava mais suave. “Cassidy, se eu fizer isso, os Morrisons podem perder tudo. Tem certeza?”

Brendan se afastou da mesa. “O que é o Protocolo Sete?”

Não tirei os olhos dele.

O Protocolo Sete não era blefe. Era a cláusula que redigi durante o divórcio, criada para proteger a empresa de abusos imprudentes da administração.

Capítulo 4: O Império Congela

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