“Como você pôde tentar fugir com seu marido? Seria um erro fatal.”
“Eu jamais faria isso.”
“Porque se você tentar fugir”, continuou Eulália friamente, “não só matarão Joaquim quando o pegarem, como também punirão você… E seu bebê. Bem, bebês são frágeis.”
A ameaça velada fez Violeta empalidecer. “Entendo.”
“Ótimo. Porque vou mandar alguém vigiar esta casa até Joaquim sair amanhã, para garantir que nada aconteça.”
Quando Eulália saiu, Violeta se deixou cair em uma cadeira, tremendo. “Ela sabe”, sussurrou. “Ela sabe que estamos planejando fugir.”
“Ela não sabe. Ela apenas suspeita, mas isso muda tudo.”
“O que vamos fazer?”
Pensei rápido: “Teremos que sair hoje, durante o dia. É mais arriscado, mas é nossa única chance.”
“Durante o dia? Mas eles vão nos ver!”
“Não se formos espertos. Conheço uma trilha que contorna a propriedade pelos fundos, atravessando o riacho. Se sairmos ao meio-dia, quando todos estiverem descansando, talvez consigamos entrar na mata sem sermos vistos.”
Violeta respirou fundo. “Então vamos. É agora ou nunca.”
Passei a manhã finalizando os preparativos. Avisei ao capataz que ia consertar uma cerca atrás da casa e que só voltaria à tarde. Violeta disse à governanta que ia descansar e não queria ser incomodada. Ao meio-dia, quando o sol estava alto e todos já tinham ido almoçar e tirar uma soneca, começamos nossa fuga. Saímos pelo portão dos fundos, Violeta apoiada em sua bengala e carregando uma mochila leve, e eu carregando os suprimentos mais pesados. Caminhamos devagar pelo quintal, depois pelo pomar, sempre na sombra das árvores.
“Dói?” Perguntei quando notei que Violeta estava mancando mais do que o normal.
“Um pouco, mas consigo continuar.”