“Não, você vai ficar aqui e ouvir o que temos a dizer sobre o seu futuro.”
O coronel, que permanecera em silêncio até então, finalmente falou: “Rodrigo, obrigado pela sua honestidade. Pode se retirar.”
Quando o jovem saiu, um profundo silêncio tomou conta da sala. Violeta permaneceu ali, tremendo, com lágrimas escorrendo pelo rosto. “Sente-se”, ordenou o coronel. Violeta escutou, e então ouvimos as palavras que mudariam nossas vidas para sempre. “Eulália tem razão”, disse o coronel, com a voz fria como gelo. “Você é um problema que precisa ser resolvido. Nenhum homem decente vai querer se casar com você.”
“Pai!” Violeta sussurrou.
“Não me chame de pai!” ele exclamou. “Um pai tem filhos normais, não… seja lá o que você for.”
As palavras eram como adagas. Violeta encolheu-se na cadeira, como se quisesse desaparecer.
“Então”, continuou Eulália, “precisamos encontrar uma solução prática. E eu tenho uma proposta.”
“Qual?” perguntou o coronel.
“Joaquim. O carpinteiro. Ele é viúvo; precisa de uma mulher para cuidar dele. E ela, bem, ela nunca vai conseguir nada melhor do que um escravo.”
Meu sangue gelou. Estavam falando de mim como se eu fosse um animal e de Violeta como se ela fosse um fardo a ser descartado. “Joaquim…” O coronel ponderou a ideia. “Ele é um bom trabalhador, respeitoso, e ela seria útil. Finalmente, ela poderia cozinhar para ele, cuidar da casa, dar-lhe…”