Apaguei a luz do corredor, depois a da cozinha e, por fim, o abajur da sala que Caleb sempre deixava aceso. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o telefone cair. Mara permaneceu na linha, em silêncio, exceto pela respiração.
Na escada do sótão, ela sussurrou: “Não desligue”.
Subi devagar, cada degrau de madeira rangendo sob meus pés descalços. O sótão cheirava a poeira, isolamento e caixas de Natal antigas. Fechei a porta atrás de mim e encaixei a pequena trava.
“Tranque”, disse Mara.
“Eu tranquei.”
“Fique longe da janela.”
Então a ligação caiu.
Por um longo e terrível minuto, nada aconteceu.
Então ouvi a voz de Caleb lá embaixo.
Não estou mais com sono.
Calma.
“As luzes estão apagadas”, disse ele.
Outro homem respondeu de dentro da minha casa.
“Então ela vai saber.”
Levei a mão à boca.
Por uma fresta estreita no assoalho do sótão, consegui ver parte do corredor lá embaixo. Caleb estava parado ali, de calça de moletom, com meu laptop debaixo do braço.
Ao lado dele, estava um estranho com uma capa de chuva preta.
O estranho entregou a Caleb uma pequena pasta.
Caleb a abriu, revelando três passaportes.
Um tinha a foto do meu marido.
Outro tinha a foto do meu filho.
O terceiro tinha a minha.
Mas nenhum deles tinha nossos nomes…
Parte 2: Encolhida no sótão, a poeira arranhando minha garganta, o medo pressionando meu peito com tanta força que mal conseguia respirar.
Abaixo de mim, Caleb colocou os passaportes sobre a mesa do corredor.
O homem da capa de chuva disse: “O Escritório agiu mais rápido do que o esperado.”
Meu estômago embrulhou.
Caleb cerrou os dentes. “Quão perto?”
“Tão perto que a irmã da sua esposa já sabe.”
Minha irmã.
Mara.
Apertei meu celular com força, rezando para que ligasse de novo e para que não fizesse barulho.
Caleb pegou meu laptop. “Ele nunca checa nada. Mesmo que visse alguma coisa, não entenderia.”
O estranho deu uma risadinha. “Você escolheu bem.”
Caleb não sorriu.
“Isso não estava nos planos”, disse ele.
Por um instante, quase ouvi arrependimento em sua voz.
Então ele acrescentou: “Mas a criança complica as coisas.”
Minha visão ficou turva.
Noah. Nosso filho de quatro anos, dormindo a quilômetros de distância na casa dos pais de Caleb — ou pelo menos era o que eu pensava.
O estranho disse: “Seus pais estão levando-o agora.”
Mordi meu nó do dedo com tanta força que senti o gosto de sangue.
Caleb assentiu. “Ótimo. Assim que cruzarmos para o Canadá, tudo voltará ao normal.”
O telefone na minha mão vibrou. Quase gritei. Uma mensagem de Mara apareceu.
O FBI e a polícia local estão a dois minutos de distância. Fique escondida. Não faça barulho. Noah está seguro. Nós o interceptamos.
Fechei os olhos enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Claro.
O telefone de Caleb tocou lá embaixo.
Ele atendeu bruscamente: “Mãe?”
Sua expressão mudou.
Como assim, eles o levaram?
O estranho se aproximou. “O que aconteceu?”
Caleb empalideceu. “Noah sumiu. A polícia os parou na rodovia.”
O homem praguejou. Então Caleb olhou para cima.
Não diretamente para mim, mas para o sótão.
“Onde está Elise?”