A família Cortés hesitou antes de atravessar, como se a própria entrada da garagem pudesse expô-los. Então, o orgulho os impulsionou para a frente. Um a um, seus carros de luxo chegaram: SUVs pretos, sedãs brancos, um carro esportivo vermelho que Rodrigo comprara depois de adiar seu tratamento dentário porque “o dinheiro estava curto”.
Você se levantou e ajeitou seu vestido creme simples.
O mesmo que usara do lado de fora do tribunal.
Não porque não pudesse comprar algo melhor.
Porque queria que eles se lembrassem exatamente de quem haviam zombado.
Quando chegaram ao pátio principal, a primeira onda de silêncio os atingiu. A casa se erguia diante deles com paredes brancas e imaculadas, altas portas de vidro, varandas de pedra e jardins tão amplos que poderiam engolir as opiniões mais fortes da família Cortés. Uma fonte corria pelo centro, suave e elegante, cercada por lírios importados de um viveiro ao qual Teresa certa vez se gabara de ter “acesso exclusivo”.
Você saiu pela porta da frente antes que alguém pudesse tocar a campainha.
Rodrigo a viu primeiro.
Seu rosto fez uma expressão estranha.
Durante cinco anos, ele olhou para você como se fosse uma mulher que ele generosamente acolhera em sua vida. Agora, olhava para você como um homem que se dava conta de que morava ao lado de um cofre trancado e nunca perguntara o que havia lá dentro.
“Mariana”, disse ele.
Você sorriu.
“Feliz Páscoa.”
Os olhos de Dona Teresa percorreram você, depois passaram por você, e então contornaram a casa novamente. Ela estava tentando decifrar o truque. Toda a sua vida fora condicionada a acreditar que o dinheiro se anunciava através da arrogância, e como nunca anunciara nada, não conseguia entender o que estava vendo.
Paola deu um passo à frente com um sorriso forçado.
“Esta é… a casa de alguém?”
“Sim”, você respondeu. “Minha.”
Um primo riu alto demais.
“Ah, qual é. Sério?”
Você se virou para ele.
“Muito sério.”
As risadas cessaram.
Rodrigo aproximou-se, baixando a voz como se ainda tivesse o direito de falar com você em particular.
“Mariana, o que é isso?”
“Almoço”, você respondeu. “Você foi convidado.”
“Não”, ele sussurrou. “Esta casa. Este guarda. Todo esse espetáculo.”
Você baixou a cabeça.
“Você quer dizer a pobreza que sua mãe veio inspecionar?”
O maxilar dele se contraiu.
Atrás dele, Dona Teresa se levantou como uma rainha cujo trono fora movido sem permissão.
“Se isso é para nos envergonhar, é infantil.”
Você olhou para ela.
“Não, Teresa. Não é para envergonhá-la.” Essa parte está acontecendo naturalmente.
Alguns parentes desviaram o olhar para esconder os sorrisos.
Essa foi a primeira rachadura.
Você se afastou.
“Por favor, entrem. O almoço está quase pronto.”