Eu vestia um vestido azul-escuro que cintilava como o céu noturno, cada passo refletindo a luz dos lustres de cristal. O tecido me caía perfeitamente, elegante e inatingível. Ao redor do pescoço, um raro colar de safira, seu brilho azul profundo inconfundível; todos os convidados ilustres presentes o reconheceram instantaneamente.
Minha postura era elegante. Minha expressão, serena.
O poder não precisava se anunciar. Simplesmente chegava.
Uma ovação ensurdecedora e estrondosa irrompeu. Bilionários, políticos e celebridades se levantaram, aplaudindo; alguns até inclinaram levemente a cabeça enquanto eu passava.
Mas eu não estava olhando para eles.
Meus olhos estavam fixos em uma pessoa.
Adrian.
E no instante em que ele me viu…
seu copo escorregou de sua mão.
CRASH!
O som quebrou o silêncio entre os aplausos.
Seu rosto empalideceu. Seus lábios se entreabriram, mas ela não pronunciou uma palavra. Seu corpo inteiro congelou, como se a própria realidade tivesse se despedaçado diante de seus olhos.
Vanessa estava ao lado dela, igualmente atônita, seus dedos escorregando lentamente de sua mão.
“C-Clara…?” Adrian sussurrou, quase inaudível. “Isso não é possível…”
Caminhei em sua direção, a multidão instintivamente se abrindo para me dar passagem. Cada passo parecia deliberado, calculado; sem pressa, sem hesitação.
Quando parei diante dele, examinei-o lentamente com os olhos.
Assim como ele havia feito comigo antes.
Só que desta vez, não havia admiração em meu olhar.
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