Quando as portas se abriram, entrei vestindo um simples vestido branco, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu podia ouvir as pessoas rindo e me insultando.
No final do corredor estava o homem com quem eu iria me casar. Seu nome era Lando.
Ele usava um terno imundo e esfarrapado que cheirava a esgoto. Seus longos cabelos despenteados e o rosto coberto por uma barba espessa e fuligem tremiam; suas costas estavam curvadas, como as de um cachorro acostumado a ser maltratado.
“Meu Deus, que nojo! O noivo cheira a lixo!” gritou a nova esposa de Julian, e toda a igreja caiu na gargalhada.
Quando cheguei ao altar, olhei para Lando. Esperava ver alguém ingênuo, mas fiquei surpresa quando nossos olhares se encontraram. Sob a fuligem e os cabelos despenteados, seus olhos eram destemidos. Eram penetrantes, serenos e transbordavam uma força silenciosa.
A Explosão do Altar
A cerimônia começou. Enquanto o padre lia as palavras, Julian ria incontrolavelmente ao fundo.
“Antes de declará-los marido e mulher”, disse o padre, “alguém se opõe a este casamento?”
“Eu me oponho.”
Uma voz profunda, fria e ressonante interrompeu o murmúrio de risos que ecoava pela catedral. Não era dos convidados. Era do mendigo parado diante dele. De Lando.
Julian franziu a testa. Levantou-se abruptamente da cadeira. “Ei, você está morrendo de fome! O que está fazendo? Eu te paguei dez mil para seguir o roteiro! Vamos, vamos para o casamento!”
Mas Lando permaneceu impassível. Lentamente, ergueu as mãos. Diante de centenas de convidados e jornalistas, removeu a peruca suja e desgrenhada. Arrancou a barba falsa que lhe cobria o rosto. Tirou um lenço úmido do bolso e limpou a fuligem das bochechas e da testa.
Todos gritaram horrorizados. Até eu recuei em choque.
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O miserável mendigo desapareceu.
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