“Foi um acidente.”
Respondi com outra versão, ao contrário.
“Não acredito em você.”
“Foi um acidente!”, ele repetiu, com a voz ainda mais alta. “Discutimos na caminhonete. Ela queria sair. Estava chovendo. Ela escorregou. Bateu a cabeça. Havia sangue por toda parte. Eu… eu entrei em pânico.”
Encarei-o, sem conseguir piscar.
“E você a deixou morrer.”
O silêncio dele foi a primeira resposta.
Então ele falou.
“Ela não estava mais respirando.”
“Você ligou para alguém?”
Ele não respondeu.
“Você ligou para alguém?”
“Não.”
A palavra me atingiu como um soco no estômago.
Não.
Ele não ligou.
Ele não pediu ajuda.
Ele não deu nenhum aviso.
Ele estava apenas limpando a bagunça.
Ele se escondeu.
Ele viajou. Ele mentiu.
E todas as noites, ela se deitava ao meu lado enquanto eu inalava o perfume de outra mulher morta.
Então, ao longe, ouviu-se o som de uma sirene.
Muito fraco.
Mas real.
Alejandro também ouviu.
Ele virou a cabeça por um instante.
E naquele momento eu soube que tudo iria desmoronar de vez.
Porque quando ele olhou para mim novamente, não havia explicação em seus olhos.