Ao me virar para a porta, olhei para trás e vi lágrimas brilhando em seus olhos. Ela rapidamente se virou e as enxugou com a ponta do cobertor.
Na minha segunda visita, levei tulipas. Na terceira, levei uma pequena caixa de chocolates de caramelo que a enfermeira me disse que Rosie adorava. Na quarta visita, cheguei numa quarta-feira, mesmo que Tim não tivesse pago naquele dia.
No corredor, encontrei Margaret, uma mulher delicada com olhos penetrantes, vestindo um cardigã muito grande para ela. Ela me viu passar pela porta, com um buquê de flores na mão.
“Você o visita com frequência”, disse ela.
“Ela é minha mãe.”
Margaret baixou a cabeça. “Ela é a pessoa mais doce daqui. Você tem sorte.”
O jeito como ele disse isso me fez desviar o olhar.
Tim ligou naquela sexta-feira. Sua voz estava tensa.
“Você não precisa vir no meio da semana, Jeremy. É só um trabalho. Simplifique.”
“Ela está sozinha.”
“Ela tem demência. Ela esquece tudo assim que saímos.”
Apertei o telefone com mais força. “Talvez. Mas ela vai se lembrar enquanto eu estiver aqui.”
Ela desligou.
Semanas se transformaram em meses. Comecei a pular refeições para poder dirigir pela cidade. Lia o jornal para Rosie. Massageava suas mãos quando suas articulações doíam.
Uma tarde, ela se inclinou para mais perto, respirando levemente, com os olhos mais claros do que nunca.
“Você é um bom homem, meu filho”, disse ela.
Quase desmaiei ali mesmo.
“Mãe, eu…”
“Shhh.” Ela deu um tapinha na minha bochecha. “Eu sei o que sei.”
Na época, eu não entendi. Convenci-me de que era apenas loucura, palavras soltas flutuando ao vento.
Naquela noite, a caminho de casa, pensei na minha própria mãe e nas poucas vezes em que fiquei com ela enquanto cuidava de Rosie. Prometi a mim mesmo que faria melhor. Ligaria com mais frequência. Ficaria mais tempo.
Dois dias depois, meu telefone tocou enquanto eu carregava caixas na caminhonete.
Era a diretora do asilo.
“Jeremy. Rosie morreu dormindo ontem à noite.”
Coloquei a caixa na calçada molhada.
“E ela deixou algo para você.”
Três dias após o funeral, eu estava sentado no escritório da diretora Helen, com os olhos fixos em um envelope lacrado sobre a mesa dela. Eu havia me preparado para o luto, não para a papelada.
“Eu sabia que você não era filho dela”, disse Helen gentilmente.
Olhei para cima. “O quê?”
“Desde a nossa primeira visita, Jeremy… Ele me contou uma semana depois. Pediu que eu guardasse segredo.”