Mamãe abriu a porta antes mesmo que eu pudesse bater, como sempre fazia.
“Você não deveria estar na rua tão tarde, querido.”
“Mãe, estou bem. Trouxe seu remédio para pressão e sua sopa favorita.”
Ela segurou meu rosto entre as mãos. Suas palmas estavam quentes, o mesmo calor que eu conhecia desde sempre.
“Você parece cansado, Jeremy.”
“Estou bem, mãe.”
“Eu não estava bem.”
Na manhã seguinte, consegui fazer uma entrega de café entre um turno e outro. Foi quando um homem se sentou à minha frente sem pedir permissão.
Ele parecia rico.
“Você é o Jeremy, certo? Um amigo me falou de você. Ele disse que você poderia usar uma renda extra.”
“Quem é seu amigo?”
“Estou bem, mãe.” “Não importa. O que importa é que eu tenho um problema e acho que você pode resolvê-lo.”
Eu deveria ter me levantado e ido embora. Em vez disso, tomei outro gole de café.
“Minha mãe está em um asilo”, disse o homem. “O nome dela é Rosie. Ela tem demência. Nos dias em que se sente bem, ela conta para quem quiser ouvir que o filho dela nunca a visita.”
“Então vá vê-la.”
Por um breve instante, seu olhar se desviou para a janela.
“Não consigo ver dessa forma”, respondeu ele. “Obrigações de trabalho. Familiares fazem perguntas. Amigos da família…” A situação ficou tensa.
Ele empurrou um maço de notas dobradas para o meio da mesa.
“Quinhentos por semana. Visitas nos fins de semana. Chame-a de Mãe. Finja que você é o Tim. Esse é o meu nome. Ela só verá fogo, Jeremy. Ela não sabe mais quem está na frente dela.”
Encarei o dinheiro.
“Isso não está certo, senhor.”
“A lei não paga as contas da sua mãe.”
A frase acertou em cheio.
“Como você conheceu minha mãe?”
O resto está na próxima página.
“Perguntei por aí. Conhecemos você, Jeremy. Um bom rapaz. Tem a idade certa para o trabalho. Tem o porte físico.” Eu deveria ter recusado. Quase me safei.
“Só nos fins de semana?”, perguntei.