Eu estava sentada na cama do meu falecido filho, segurando uma de suas camisetas, quando a professora dele ligou e disse que ele havia deixado algo para mim na escola. Meu filho estava desaparecido havia semanas.

“Do que a senhora está falando? Dilmore?”

“É um envelope”, disse ela. “Tem seu nome nele. É do Owen.”

Minha mão apertou minha camisa. Do Owen?

“Sim. Não sei como foi parar aí. Só encontrei hoje. Mas está escrito com a letra dele.”

“É do Owen.”

Não me lembro de ter encerrado a ligação. Só me lembro de ter falado rápido demais e de sentir meu coração disparado.

Encontrei minha mãe na cozinha, lavando uma xícara. Ela estava hospedada conosco desde o funeral, porque ainda não estava se alimentando direito e continuava acordando à noite chamando pelo meu filho.

“O que houve?”, perguntou ela.

“A professora dele encontrou algo. O Owen me deixou algo, mãe.”

Seu rosto mudou com aquela compreensão gentil e afetada que só outra mãe consegue demonstrar sem desviar o olhar.

Charlie estava no trabalho. O trabalho se tornara seu refúgio desde o funeral. Ele saía cedo, chegava tarde e falava muito pouco nesse meio tempo. Nem sequer me deixava abraçá-lo. A distância entre nós deixara de ser apenas uma dor. Começara a parecer um quarto trancado no qual eu não conseguia entrar.

Ele nem sequer me deixava abraçá-lo.

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