Durante uma entrevista de emprego, fiquei paralisada ao ver uma foto da minha mãe em uma moldura preta na mesa do meu chefe. Ele me disse que ela estava desaparecida há 30 anos… mas que estava me esperando em casa.

 

“Você está muito quieta hoje”, disse Agnes.

“Estou só cansada”, respondeu Hannah, forçando um sorriso.

Sua mãe a observou por um instante e então suspirou. “Você não deveria passar o dia todo lendo essas revistas. Elas enchem sua cabeça de bobagens sobre a vida na cidade. As pessoas lá fora são diferentes, Hannah. Elas só pegam e pegam, e nunca dão nada em troca.”

Os lábios de Hannah se contraíram. Ela já tinha ouvido aquele discurso centenas de vezes. “Eu sei, mãe.”

“Mesmo?” Agnes mexeu o café. “Você acha que a cidade se importa com pessoas como você? Se você trabalhar duro, ninguém vai te recompensar. Vão te explorar até você não ter mais nada a perder.”

Hannah assentiu com a cabeça, embora seus pensamentos já tivessem vagado muito além das paredes da cozinha, para as vitrines que vira em Portland quando criança, para o murmúrio do trânsito que lhe parecera uma oportunidade.

Depois do café da manhã, vestiu seu cardigã surrado e pegou a bolsa. “Chego em casa às seis”, disse.

Agnes enxugou as mãos com um pano de prato, observando a filha como se tentasse memorizar cada detalhe antes de ela sair. “Fique longe daqueles entregadores. Eles são problemáticos.”

“Mãe.”

“Estou falando sério.”

Hannah exalou suavemente, divertida, mas cansada. “Eu sei.”

A porta de tela rangeu ao abrir, e o mundo exterior a saudou com o aroma de grama úmida e flores de macieira. A estrada para a vila era silenciosa, ladeada por antigos bordos que se erguiam como uma catedral. Suas botas deixavam pegadas na lama enquanto caminhava, e o vento carregava o zumbido suave dos tratores nos campos distantes. Para quem passasse por ali, sua vida parecia simples, até mesmo pacífica. Mas por dentro, Hannah sentia uma inquietação, como um pássaro tamborilando contra o vidro, ansiando por um céu aberto.

Ela amava profundamente sua mãe. Agnes havia sacrificado tudo por ela. No entanto, cada gesto de amor era tingido de medo. Cada palavra de proteção parecia uma porta trancada.

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