Casei-me com meu namorado do ensino médio; no nosso primeiro aniversário, ouvi um chamado que me fez suspirar.

Antes de servir o vinho, decidi surpreendê-lo, aproximando-me sorrateiramente por trás e envolvendo-o pela cintura enquanto ele abotoava a camisa.

Então ouvi sua voz através da porta entreaberta do quarto.

Não era a voz que ele usava comigo. Era baixa e cautelosa.

“É, cara. Eu a traio desde o ensino médio. Ela não faz ideia. Hoje à noite finalmente vou fazer o que planejei”, ouvi Aaron dizer.

Meus joelhos quase cederam contra a parede.

Cubri a boca com uma das mãos com tanta força que senti o gosto de sangue no lábio.

Quinze anos passaram diante dos meus olhos.

A gaveta trancada, os telefonemas secretos, o nome “Vanessa” iluminando a tela do celular dela às 23h dois verões antes, o jeito como ela me olhou diretamente nos olhos e disse que colocar a casa somente em seu nome era “apenas por questões fiscais”, e o jeito como ela insistiu, mesmo depois do casamento, que nossas contas bancárias permanecessem separadas.

Cada coisinha que eu tinha engolido.

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