A esposa dele pegava o cartão e só lhe dava 20 pesos… Ele a chamava de mesquinha, até que abriu o envelope que ela havia escondido por 5 anos.

Menos pesado.

Mais limpo.

Assinaram o pagamento final com Dom Ernesto, um cavalheiro de chapéu, bigode grisalho e mãos calejadas.

Não havia música.

Nem balões.

Nenhuma festa.

Apenas uma assinatura, um aperto de mãos e uma chave antiga que ainda não abria nenhuma porta, mas pavimentava o caminho para o futuro.

Naquela noite, Martin voltou para a fábrica.

Seus colegas não perderam tempo em provocá-lo.

“E aí, amigo? Finalmente te deram o dinheiro?”

“Não”, respondeu ele calmamente.

“E daí?”

Martin sorriu.

“Me deram uma nova vida.”

Todos caíram na gargalhada.

“Ele se tornou um poeta agora.

Antes, essas provocações o teriam enfurecido.

Desta vez, não.

Porque agora ele sabia que existem coisas vergonhosas que carregamos para agradar aqueles que não pagam nossas contas, não enxugam nossas lágrimas e não dormem conosco sob um teto com goteiras.

Na saída, comprou uma rosa no semáforo.

Custou 25 pesos.

Nem tudo era perfeito.

Tinha um espinho quebrado e as pétalas estavam um pouco danificadas.

Mas Martín a carregava como se fosse uma joia.

Quando deu o presente a Maribel, ela o aceitou sem dizer uma palavra.

Então olhou para a flor, olhou para o marido e perguntou:

“O projeto estourou o orçamento?”

Martin permaneceu sério por um segundo.

Então ambos riram.

Não porque a pobreza fosse engraçada.

Mas porque, pela primeira vez em anos, eles a encaravam da mesma perspectiva.

Semanas depois, deixaram a casa alugada.

A parede úmida ficou para trás.

Também ficaram para trás as brigas por 100 pesos, os longos silêncios e as suspeitas que quase destruíram o amor deles.

A nova casa ainda tinha apenas dois quartos, um banheiro sem azulejos e uma cozinha com piso de cimento.

Mas havia algo que o outro nunca teve.

Paz.

Martin aprendeu que nem todos os “nãos” são falta de amor.

Às vezes, um “não” é uma mulher engolindo seus próprios desejos para salvar um sonho.

Às vezes, a pessoa que parece mais forte é a mais frágil por dentro.

E às vezes, antes de chamar alguém de mesquinho, vale a pena analisar cuidadosamente a situação para ver se essa pessoa não está, silenciosamente, protegendo um futuro que você mesmo desejou e então… esquecido.

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