Eu odiava o ensino médio porque a rainha do baile tornou minha vida um inferno. Doze anos depois da minha formatura, ela me contatou no Tinder sem a menor ideia de quem eu era.

Um homem que passou anos se reconstruindo após um passado doloroso decide arriscar em um aplicativo de namoro. Mas quando um rosto familiar aparece na tela, um gesto simples o leva a uma conclusão inesperada.

A cidade zumbia suavemente do lado de fora da minha janela, aquele tipo de ruído noturno que costumava me fazer sentir sozinho e agora simplesmente me fazia sentir acompanhado.

Enchi um copo d’água, tirei os sapatos e me joguei no sofá do apartamento que levei dez anos para pagar. Pela primeira vez em muito tempo, vi meu reflexo na janela escura e não desviei o olhar.

Trinta anos. Um metro e noventa. Uma carreira que construí do zero.

Um homem que meu eu mais jovem não teria reconhecido.

Sua voz ainda me arrepia depois de todos esses anos.

Às vezes eu pensava naquele cara. O grandalhão na última fileira, com o capuz do moletom abaixado até os joelhos, rezando para não ter que falar. Aquela que comia na biblioteca porque o refeitório parecia um cenário de teatro.

“Ei, grandão, você comeu a máquina de refrigerantes inteira de novo?”

A voz dela ainda me arrepia depois de todos esses anos. Madison. Rainha do baile. A garota que todos os professores adoravam e todos os garotos queriam. A garota que tinha um dom para me encontrar em qualquer corredor.

Lembrei-me do dia em que parei de tentar.

No meu segundo ano do ensino médio, depois de fazer a turma inteira rir com meus sapatos, cheguei em casa e abri um livro didático em vez de chorar. Livros não riem. Livros me ajudaram a terminar a faculdade, e a faculdade me ajudou a superá-la.

Tudo em mim havia mudado.

“Você deveria vir para casa para a reunião”, minha mãe me disse ao telefone no mês passado.

“De jeito nenhum”, eu disse.

“Daniel, querido, as pessoas mudam.”

“Algumas pessoas mudam”, eu disse.

Sim, eu mudei. Mudei tudo em mim. A academia quatro manhãs por semana. Terapia às terças. As amizades em que eu realmente confiava. Marcus, que me dizia as coisas na lata quando eu precisava.

O orgulho silencioso de me olhar no espelho sem pestanejar.

Mas o garoto ainda estava lá, em algum lugar. Ele ressurgia em momentos inesperados. Quando um estranho ria alto demais atrás de mim na rua. Quando alguém dizia “esquisito” enquanto passava.

“Baixa o app, cara. Um encontro.”

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Quando eu passava por uma loira alta em uma foto e sentia meus ombros tensionarem sem motivo aparente.

Suspirei e peguei meu celular. Marcus vinha me enchendo o saco há semanas.

“Baixa o app, cara. Um encontro. Você não precisa casar com ninguém.”

“Eu odeio essas coisas”, eu disse a ele.

“Você odeia tentar. Há uma diferença.”

Ela não estava errada. Abri o Tinder e deixei meu polegar fazer o trabalho. Deslizar. Deslizar.

Uma mulher com um tapete de ioga. Uma mulher com uma margarida. Uma mulher com um cachorro que claramente não era dela.

Então meu polegar parou no meio do movimento.

Veja o resto na próxima página.

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