“Do que a senhora está falando? Dilmore?”
“É um envelope”, disse ela. “Tem seu nome nele. É do Owen.”
Minha mão apertou minha camisa. Do Owen?
“Sim. Não sei como foi parar aí. Só encontrei hoje. Mas está escrito com a letra dele.”
“É do Owen.”
Não me lembro de ter encerrado a ligação. Só me lembro de ter falado rápido demais e de sentir meu coração disparado.
Encontrei minha mãe na cozinha, lavando uma xícara. Ela estava hospedada conosco desde o funeral, porque ainda não estava se alimentando direito e continuava acordando à noite chamando pelo meu filho.
“O que houve?”, perguntou ela.
“A professora dele encontrou algo. O Owen me deixou algo, mãe.”
Seu rosto mudou com aquela compreensão gentil e afetada que só outra mãe consegue demonstrar sem desviar o olhar.
Charlie estava no trabalho. O trabalho se tornara seu refúgio desde o funeral. Ele saía cedo, chegava tarde e falava muito pouco nesse meio tempo. Nem sequer me deixava abraçá-lo. A distância entre nós deixara de ser apenas uma dor. Começara a parecer um quarto trancado no qual eu não conseguia entrar.
Ele nem sequer me deixava abraçá-lo.