“Meu pai me deu. Eu o tenho desde pequena.”
Não havia outro colar. Nunca houve.
Então, como ela o usava?
Eu segurei aquele colar em minhas mãos na última noite em que minha mãe viveu.
Jantei no piloto automático. Assim que as luzes traseiras dos carros sumiram na rua, fui direto para o armário do corredor e peguei os álbuns de fotos antigos da prateleira de cima.
Minha mãe usava o colar em quase todas as fotos da sua vida adulta.
Segurei as fotos contra a luz da cozinha e fiquei olhando para elas por um longo tempo. Eu não tinha me enganado no jantar.
O pingente em todas as fotos era idêntico ao que Claire usava na clavícula. E eu era a única pessoa que sabia sobre a pequena dobradiça do lado esquerdo. Minha mãe me mostrou em particular no verão em que completei doze anos e me contou que a peça estava na nossa família há três gerações.
Meus olhos não me enganaram no jantar.
O pai de Claire o deu a ela quando ela era criança. Isso significava que ela o tinha há pelo menos 25 anos.
Olhei para o meu relógio. Eram quase 10h05. Peguei meu telefone. Disseram-me que o pai dela estava viajando e só voltaria em dois dias. Eu não podia esperar dois dias.
Claire me deu o número dela sem pensar duas vezes, provavelmente supondo que eu quisesse me apresentar antes que a conversa sobre o casamento ficasse séria. Deixei que ela pensasse isso.
O pai dela atendeu no terceiro toque. Apresentei-me como a futura sogra de Claire e mantive um tom amigável.
O pai de Claire havia lhe dado o colar quando ela era pequena.
Disse a ele que havia admirado o colar de Claire no jantar e que estava curiosa sobre sua história, já que também coleciono joias antigas.
Uma pequena mentira piedosa. A mais cuidadosamente elaborada que consegui inventar.
A pausa antes de ela responder durou um instante a mais do que o necessário.
“Foi uma compra particular”, disse ela. “Há anos. Não me lembro dos detalhes.” “Você se lembra de quem comprou?”
Outra pausa. “Por que pergunta?”
“Só curiosidade”, respondi. “Parecia muito com uma peça que minha família tinha.”
Mencionei que havia admirado o colar de Claire no jantar e que estava curiosa para saber sua história.
“Tenho certeza de que existem peças semelhantes. Preciso ir.” Ela desligou antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.
Liguei para Will na manhã seguinte e disse que precisava ver Claire. Fui vaga. Disse que queria conhecê-la melhor, talvez olhar alguns álbuns de fotos da família juntas.
Ele acreditou totalmente em mim, porque Will sempre confiou em mim, e senti uma pontada de culpa por me aproveitar disso.
***
Claire me recebeu em seu apartamento naquela tarde; era iluminado e convidativo, e ela me ofereceu café antes mesmo de eu me sentar.
Perguntei sobre o colar da maneira mais delicada possível. Ela pousou a xícara e me olhou com uma expressão de genuína confusão.
“Eu o tenho desde que nasci”, disse Claire. “Meu pai não me deixava usá-lo até eu completar 18 anos. Quer ver?”
Ela o tirou da caixa de joias e o colocou na minha mão.
Passei o polegar pela borda esquerda do pingente até sentir a dobradiça, exatamente onde minha mãe havia me mostrado, como eu me lembrava.
Apertei-a delicadamente e o pingente se abriu. Estava vazio. Mas a parte interna tinha uma pequena flor gravada que eu reconheceria mesmo na escuridão total.
“Meu pai não me deixava usá-lo até eu completar 18 anos.”
Apertei o pingente com força e senti meu pulso acelerar. Ou minha memória estava me pregando peças… ou algo estava muito errado.
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