E Mateo sentou-se no fundo, seu uniforme impecável, seus olhos secos.
Entrei tremendo.
“Sente-se, Valeria”, disse a diretora.
Eu não me sentei.
Não conseguia.
A Sra. Rebeca falou primeiro.
“Meu filho está sendo falsamente acusado. Essa garota quer arruinar a reputação dele porque ele não quis ser namorado dela.”
Minha mãe apertou minha mão.
“Isso não é verdade.”
Mateo ergueu a cabeça.
E me despedaçou sem nem me tocar.
“Eu nunca estive com ela.”
A sala ficou em silêncio.
Senti o chão se abrir sob meus pés.
“Mateo…”
“Não fale comigo assim”, disse ele, fingindo desagrado. “Mal somos colegas de classe.”
Meu pai se levantou.
“Olhe nos olhos da minha filha e repita.”
Mateo repetiu.
Ele olhou para mim.
E repetiu:
“Ela não é minha.” Algo dentro de mim se quebrou.
Não foi meu coração.
Foi a última parte de mim que ainda acreditava que pessoas más tinham limites.
O diretor olhou para uma pasta vermelha.
Eu não sabia o que havia dentro.
Mas a Sra. Rebecca sabia.
Porque, de repente, seu sorriso desapareceu.
“Diretor, isso não deve ser misturado com assuntos escolares.”
“Sra. Rivas”, respondeu o diretor, “tornou-se um assunto escolar no momento em que a senhora tentou pressionar uma menor de idade dentro desta instituição.”
A Sra. Rebecca se enrijeceu.
Mateo engoliu em seco.
Minha mãe olhou para mim, confusa.
Eu também.
O diretor abriu a pasta.
Dentro havia folhas impressas.
Capturas de tela.
Datas.
Mensagens.
Fotos.
Meu coração começou a bater forte contra as minhas costelas.
“Valéria”, disse ela suavemente, “alguém enfiou isto por baixo da minha porta ontem à noite.”
“Quem?”
A diretora não respondeu. Simplesmente tirou um pen drive.
Depois, um pedaço de papel dobrado.
“Antes de decidir se você pode continuar estudando aqui, todos precisam ouvir algo.”
Parte 2: As Sombras Interiores
O silêncio na sala da diretora não era apenas pesado; era sufocante. Era o tipo de silêncio que precede um deslizamento de terra: quieto, mas vibrante com a força de uma destruição iminente.
Encarei a tela do meu celular, as palavras gravadas na minha visão: “Seu bebê não foi o primeiro.”
Respirei fundo, em curtos suspiros. Olhei para cima e vi a tia Patrícia parada na porta. Eu nem tinha percebido que ela havia entrado na sala. Ela estava encostada no batente, o rosto coberto por uma máscara de preocupação fingida, mas seus olhos estavam fixos no pen drive como se ela pudesse incendiá-lo com o olhar. “Patricia?”, sussurrou minha mãe, com a voz embargada. “O que é isso? O que significa?”
Minha tia não olhou para minha mãe. Olhou para a Sra. Rebeca Rivas. Uma comunicação silenciosa e aterradora passou entre elas: o olhar de duas conspiradoras frustradas.
“Isso significa”, disse a diretora, recuperando a compostura enquanto olhava para as páginas impressas na pasta, “que nunca se tratou apenas de uma gravidez na adolescência. Foi uma farsa para encobrir algo predatório.”
Veja o resto na próxima página.