**PARTE 1**
Nathan Harrison havia negociado contratos multimilionários em Dubai, Nova York e Londres sem pestanejar.
Nos Estados Unidos, era conhecido como “o Rei do Concreto”.
Todos os lugares onde sua assinatura tocava pareciam se transformar em arranha-céus de luxo. Complexos comerciais surgiam em terrenos baldios. Condomínios fechados apareciam onde antes apenas SUVs de luxo passavam pelos postos de segurança.
Mas, em uma tranquila tarde de sexta-feira, em uma pequena padaria na zona norte de Chicago, Nathan congelou diante de uma cena para a qual nenhuma negociação corporativa o havia preparado.
Sua ex-esposa, Emma Parker, estava no caixa, contando cuidadosamente as moedas no balcão.
Ao lado dela, duas crianças idênticas, de cerca de quatro anos.
Uma delas olhava através do vidro para os pãezinhos de canela como se tivesse descoberto um tesouro.
A outra segurava um caderno cheio de desenhos de foguetes e planetas.
“Mãe”, sussurrou o menino mais quieto, “se não tiver dinheiro suficiente, eu não preciso de pão.”
Emma deu-lhe um sorriso, repleto da mesma dignidade feroz que Nathan se lembrava tão bem.
“Tem o suficiente, querido. Só precisamos contar com cuidado.”
Nathan sentiu o chão ceder sob seus pés.
Não podia ser.
Emma ainda não o tinha visto.
Seu cabelo estava preso num rabo de cavalo simples. Suas roupas eram baratas e o cansaço pesava em seus olhos.
Ela não se parecia em nada com a mulher que um dia estivera ao seu lado em galas beneficentes no centro da cidade, vestindo vestidos de grife enquanto as câmeras os cercavam.
Ela parecia uma mulher que aprendera a sobreviver sozinha.
O padeiro, Sr. Russo, silenciosamente colocou dois pães extras na sacola.
“Leve”, disse ele. “Especial de sexta-feira.”