Ele assentiu. “Você conseguiu.”
Atrás dele, Courtney já começava a mudar de expressão. A certeza absoluta que ela tinha antes da chegada dos policiais começou a vacilar, substituída por aquela improvisação rápida e desagradável a que as pessoas recorrem quando percebem que uma mentira está perdendo a força.
“Bem, nós alugamos”, disse ela, em voz alta o suficiente para que todos ao redor ouvissem. “Foi uma reserva legítima e particular.”
O policial se virou para ela novamente. “De quem vocês alugaram?”
“Do gerente”, ela respondeu. “Ele pode confirmar tudo.”
Enfiei as mãos nos bolsos e observei o primeiro lampejo de medo real cruzar seu rosto. “Está a caminho”, eu disse.
Aquela frase me atingiu mais forte do que qualquer torta. Seu comportamento mudou tão sutilmente que a maioria das pessoas não notaria, mas eu notei.
“Deixa pra lá”, disse ela rápido demais. “Eu paguei. Tenho o recibo. Todo mundo aqui sabe que eu paguei.”
Murmúrios percorreram os hóspedes como vento na grama seca. As pessoas que antes sorriam e brindavam agora se afastavam lentamente — não o suficiente para parecerem rudes, mas o bastante para evitar se aproximar demais, com medo de que o chão cedesse sob seus pés.
Uma mulher, secando a cobertura do colar, sussurrou para outra, e eu ouvi as palavras: “Ela disse que comprou o rancho”. O homem de paletó de linho franziu a testa e disse: “Não, eu pensei que ela tivesse dito que os papéis já estavam assinados”.
Courtney também ouviu. Seu maxilar se contraiu com tanta força que eu podia ver a seis metros de distância.
O delegado mais novo começou a anotar nomes. O mais velho fez algumas perguntas rápidas e repetiu o mesmo ponto com a disciplina de quem sabia que a maioria dos mentirosos acaba se entregando não pelo que nega, mas pelo que elabora.
Continuei onde estava, com os rapazes. Parker se encostou em mim, de repente cansado, seu entusiasmo há muito esgotado, e Hudson lançou um olhar furioso para Courtney, com a raiva de alguém velho o suficiente para entender um insulto, mas ainda jovem o bastante para acreditar que a humilhação equilibra a balança.
“Estamos em apuros?”, sussurrou Parker.