PARTE 2 Na manhã seguinte, Valeria desceu as escadas com uma bandana preta cobrindo a cabeça…

PARTE 2
Na manhã seguinte, Valeria desceu as escadas com um lenço preto cobrindo a cabeça. Trocou de roupa, vestindo algo simples, e caminhou lentamente, como se estivesse realmente derrotada. Dona Carmen comia pão doce e tomava café, sentada à mesa como se fosse dona de uma casa que nunca pagou. “Você entregou sua carta de demissão?”, perguntou sem olhar para ela. “Sim”, mentiu Valeria. “Não vou voltar para o escritório.” Sua sogra sorriu. “Então vá ao mercado. Compre carne boa, frutas, queijo, tortillas frescas e minhas vitaminas. Use o cartão que você me deu.” “Claro, Dona Carmen. Você tem a senha.” A mulher saiu bem vestida, com uma bela bolsa e óculos escuros. Meia hora depois, o celular de Valeria começou a vibrar: pagamento recusado, pagamento recusado, pagamento recusado. Ela imaginou Dona Carmen parada em frente ao açougueiro, com todos olhando enquanto seu cartão de “senhora importante” não era suficiente nem para pagar um quilo de bife. Então Raúl começou. Ligou uma vez. Depois cinco. Depois doze. Mandou mensagens desesperadas: “Estou com meu chefe em um restaurante”, “Por que o cartão não está funcionando?”, “Transfira o dinheiro para mim, você está me fazendo de idiota”. Valeria não respondeu. Naquela noite, Raúl chegou furioso. Jogou as chaves sobre a mesa. “O que você fez com o meu dinheiro?” “Nada”, respondeu ela calmamente. “Desde que me demiti, não consigo mais arcar com as despesas. Você disse que era o homem da casa. Agora é a sua vez.” Dona Carmen entrou logo atrás, vermelha de vergonha. “Você me fez parecer uma mendiga no mercado!” “Não, Dona Carmen. Você que ficou mal por depender de um cartão que não era seu.” O silêncio foi mais ensurdecedor do que qualquer grito. Nos dias seguintes, a casa começou a desmoronar. Contas atrasadas chegaram. Cortaram a internet, depois a luz e, por fim, a água. Dona Carmen, que sempre deixava o ar-condicionado ligado, acabou se abanando com uma revista velha. Raúl fez empréstimos para religar os serviços e começou a receber ligações estranhas a qualquer hora. Valeria continuou trabalhando de seu estúdio. Sua empresa nunca recebeu nenhum pedido de demissão. Pelo contrário, seu chefe lhe deu alguns dias de folga, trabalhando remotamente, e apoio jurídico quando ela lhe contou parte do que havia acontecido. No quarto dia, Valeria encontrou o que precisava no antigo laptop de Raúl: jogos de azar online, empréstimos com juros exorbitantes, fotos de hotéis e transferências para uma mulher chamada Brenda. Naquela noite, ela colocou os papéis sobre a mesa. “Você me deve mais de 900 mil pesos”, disse ela. “Você também vendeu minhas moedas de casamento e penhorou a pulseira que minha avó me deixou.” Dona Carmen empalideceu. “Raúl, diga que você não fez isso.” “Eu fiz porque ela me abandonou!”, gritou ele, apontando para Valeria. “Um homem também precisa se sentir amado.” Valeria soltou uma risada amarga. “E para se sentir amada, você precisava de uma amante e dinheiro roubado?” Naquela mesma noite, ela instalou pequenas câmeras na sala de estar e no corredor. Sabia que quando alguém perde privilégios, mostra sua verdadeira face. E não se enganou. À meia-noite, fingiu estar dormindo. Raúl e Dona Carmen entraram em seu quarto com uma lanterna. Abriram gavetas, revistaram bolsas e tentaram arrombar um cofre onde achavam que estavam guardadas as escrituras. Lá dentro, encontraram apenas um pedaço de papel: “A casa está em meu nome. A prova de propriedade também. Boa noite.” No dia seguinte, ninguém falou com ela. Mas Raúl ainda tinha um truque ainda mais sujo na manga. Dois dias depois, ele apareceu com Brenda, uma mulher com maquiagem carregada, salto alto e uma barriga saliente sob um vestido justo. “Quero que você conheça a mulher que vai me dar uma família”, disse Raúl. “Ela está grávida do meu filho. Então assine os papéis do divórcio e nos deixe a casa.” Dona Carmen chorou de alegria e abraçou Brenda. “Meu primeiro neto, minha bênção.” Brenda olhou para Valeria com desdém. “Não é minha culpa que uma esposa não saiba cuidar dos seus próprios filhos.” Valeria observou sua estranha barriga, firme demais, perfeita demais. Seus passos firmes. Suas unhas compridas. O jeito como se sentava sem nenhum desconforto. Então sorriu. “Tudo bem. Fiquem alguns dias enquanto eu resolvo tudo com meu advogado.” Elas pensaram que tinham vencido, sem imaginar que Valeria as convidara justamente para o lugar onde exporia a mentira delas diante de todos… O que você acha que Brenda está escondendo? Porque aquela barriga e aquela autoconfiança não parecem tão inocentes quanto querem que você acredite.

PARTE 3 Para mais informações, continue na próxima página.

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