Então, ele correu até as meninas para ensiná-las a fazer flores de papel.
Mateo olhou para ela, com o peito apertado. Não era mais curiosidade. Não era mais culpa.
Ele estava apaixonado.
Mas também compreendia algo terrível: quanto mais a amava, mais imperdoável se tornava sua mentira.
E no dia seguinte, decidiu revelar a verdade, sem imaginar que essa verdade poderia destruir tudo…
PARTE 3
A relojoaria estava lotada quando Mateo Herrera entrou, vestido com um terno cinza-escuro feito sob medida.
O murmúrio das vozes cessou imediatamente. Seus sapatos lustrados tilintavam no piso de mármore com uma confiança completamente diferente da do homem de camiseta velha que entrara dias antes.
Fernanda o viu primeiro.
“Você de novo?”, disse ela com desdém. “Conseguiu pegar roupas emprestadas desta vez?”
Mateo nem sequer olhou para ela. Ele caminhou até o centro da loja, tirou uma pasta preta e falou com uma voz que fez até o gerente tremer.
“Boa tarde. Sou Mateo Herrera, CEO e proprietário do Grupo Herrera.”
O ar ficou pesado.
Fernanda empalideceu. Mariana baixou o olhar. O gerente sentiu a gola da camisa apertar.
Lucía deixou cair o pano que segurava.
“Mateo?”, sussurrou.
Ele olhou para ela com uma mistura de orgulho e medo.
“Vim a esta filial vestido como um homem comum para ver como as pessoas eram tratadas quando pensavam que não tinham dinheiro. E encontrei duas coisas: arrogância em quem deveria estar servindo e dignidade em alguém que nunca precisou fingir.”
Ele abriu a pasta.
“Tenho vídeos de zombaria, discriminação, comissões manipuladas e abuso no ambiente de trabalho. Fernanda, você está demitida. Mariana, o RH vai analisar seu caso. E você”, disse ele ao gerente, “está suspensa por ter permitido isso.” Fernanda começou a chorar.
“Sr. Herrera, eu não sabia que era o senhor.”
“Esse é o problema”, respondeu Mateo. “Não precisava ser eu para merecer respeito.”
Então, ele se virou para Lucía.
“Lucía Ramírez será promovida a consultora sênior a partir de hoje. Seu salário triplicará. E ela terá meu apoio direto.”
Ele esperava vê-la feliz. Esperava alívio, gratidão, talvez um sorriso.
Mas Lucía estava pálida.
“Tudo isso foi um teste?”, perguntou ela.
O sorriso de Mateo desapareceu.
“Não exatamente. Eu queria saber a verdade.”
“Minha verdade ou o seu poder?”, disse ela, com a voz embargada. “Você me viu rastejando na rua procurando uma bolsa que nunca tinha sido perdida. Você me deixou contar sobre a minha vida no orfanato enquanto escondia o fato de que você era meu chefe. E agora você vem aqui me premiar na frente de todos como se eu fosse uma espécie de heroína da sua boa ação do mês?”
“Lucía, eu queria te proteger.”
“Eu não preciso que você me proteja mentindo para mim.”
A loja inteira estava ouvindo.
“Você não me viu como uma pessoa”, ela continuou. “Você me viu como a resposta para a sua pergunta: ‘Ainda existem pessoas boas?’ E eu não nasci para provar humanidade a um milionário entediado.”
Mateo quis se aproximar dela.
“Sinto muito.”
“Eu também.”
Veja o resto na próxima página.