PARTE 2
O riso de Valéria não era histeria nem loucura; era a genuína satisfação de alguém que sabe que a armadilha que armaram para ela acabara de se fechar sobre seus algozes. Ninguém naquela sala em Cancún sabia que nada do que aconteceu naquela noite fora improvisado. Nem o discurso de Dona Catalina, nem a lista de 200 convidados, nem mesmo o empurrão violento de Alejandro. Tudo era uma coreografia barata e desprezível que a família Ruiz vinha ensaiando há meses. Queriam destruí-la publicamente, aniquilar sua reputação aos olhos dos homens e mulheres que controlavam o dinheiro no México. Uma mulher acusada de infidelidade naquele círculo machista e classista não precisava de provas para ser banida; um boato espalhado com força suficiente bastava.
O plano da família Ruiz era simples: encurralá-la, humilhá-la, gravar seu choro e obrigá-la a assinar os papéis do divórcio, entregando absolutamente tudo.
Valéria suspeitara disso exatamente seis meses antes, na tarde em que Alejandro chegou à residência deles em Polanco com um documento que ele casualmente chamou de “novo contrato de propriedade”. Segundo o marido, era uma sugestão de rotina de sua empresa de contabilidade. O documento destacou uma cláusula adicional.