Parte 3: O Que Sophie Sabia
Os serviços de proteção à criança chegaram naquela mesma tarde.
Em uma sala silenciosa da escola, uma assistente social conversou com Sophie por mais de uma hora.
Ninguém a pressionou.
Ninguém a interrompeu.
E aos poucos, a história foi se revelando.
A mulher não era sua mãe.
Era a namorada do namorado de sua mãe.
Meses antes, Sophie havia acordado certa noite e ouvido uma discussão.
Depois disso, ela parou de ver a mãe.
Disseram a ela que ela tinha ido embora.
Que ela os havia abandonado.
Que ela não queria voltar.
Mas Sophie nunca acreditou nisso.
Porque ela se lembrava de algo.
Um cheiro.
O mesmo cheiro que impregnava uma blusa escondida dentro de um saco lacrado.
A mesma blusa que pertencia à sua mãe.
Ela a guardou porque era a única prova que tinha de que algo estava errado.
A única prova de que ninguém a estava ouvindo.
E a única pessoa que finalmente a ouviu foi uma menina de oito anos.
Parte 4: A Verdade
A polícia obteve um mandado de busca para a propriedade onde Sophie morava.
Era uma casa dilapidada nos arredores da cidade.
Os investigadores passaram horas vasculhando o terreno.
Ao cair da noite, encontraram algo.
Não era exatamente onde Sophie havia apontado.
Mas estava perto.
Muito perto.
Naquela noite, a mulher de óculos foi presa junto com o homem que havia sido companheiro da mãe de Sophie.
A investigação continuou por meses.
Os detalhes foram surgindo aos poucos.
O que havia acontecido era pior do que qualquer um poderia imaginar.