Meu marido faleceu há cinco meses… Esta manhã, vi um homem idêntico a ele — e decidi segui-lo secretamente… sem imaginar o que estava prestes a descobrir…

PARTE 2
Seu olhar… não demonstrava pânico.

Não havia surpresa.

Era… frio.

Distante.

Como se eu fosse uma completa estranha.

Senti meu coração apertar.

“Você…?” Minha voz tremia, mal conseguindo sair.

O homem permaneceu imóvel por alguns segundos. Seus olhos examinaram meu rosto… como se estivessem avaliando, como se estivessem tomando uma decisão.

Então ele falou:

“Senhora, acho que a senhora está enganada.”

Uma frase simples. Educada. Mas… cruelmente distante.

Balancei a cabeça, com lágrimas nos olhos.

“Não… não pode ser… é você…” Dei um passo em sua direção. “Você… você é Javier… meu marido…” Assim que pronunciei seu nome… algo mudou.

Muito rápido.

Muito sutilmente.

Mas eu vi.

Suas pupilas se contraíram.

Uma reação instintiva.

Ele conhecia aquele nome.

Sem dúvida.

“Não sei do que você está falando”, respondeu ele, desta vez em voz mais baixa. “Nunca a vi.”

Meu coração estava acelerado.

“E aquela cicatriz?!” Quase gritei, apontando para sua têmpora. “Você a fez funcionar… você mesmo me disse…”

“Pare com isso!” Ele me interrompeu. Pela primeira vez, perdeu a paciência.

O ar ficou pesado.

Ficamos em silêncio, nos encarando.

Então… ele suspirou.

PARTE 3:
Um suspiro que eu conhecia muito bem.

Muito bem.

Ele olhou ao redor. A rua estava vazia.

Finalmente, disse baixinho:

“Eu não deveria estar aqui.”

Um arrepio percorreu meu corpo.

“Quem é você?”, perguntei.

Ele olhou diretamente para mim.

Desta vez… sem fugir.

“Se você quiser continuar vivendo em paz… esqueça o dia de hoje.”

O silêncio se prolongou.

Balancei a cabeça.

“Não.” Eu te enterrei. Chorei por você. Vivi como uma sombra nesses últimos cinco meses. Você não pode simplesmente aparecer assim… e me pedir para esquecer.

Minha voz falhou.

Ele cerrou os punhos.

Eu podia ver.

Ele estava em conflito.

Entre contar a verdade… ou continuar mentindo.

Finalmente…
Ele abriu a porta.

E olhou para mim novamente.

“Entre.”

A porta se fechou atrás de mim com um clique seco.

Lá dentro, estava escuro e frio. Um cheiro mofado e metálico me incomodou.

Ele acendeu a luz.

A luz fraca revelou um pequeno cômodo… mas o que me deixou sem fôlego não foi o lugar.

Foi a parede.

Coberta de fotos.

Fotos minhas.

Fotos nossas.

Fotos dele.

Algumas antigas. Algumas recentes. Algumas tiradas às escondidas. Meu coração parou.

“O que… é isso…?”

Virei-me para encará-lo.

Ele estava lá. Silencioso.

Ele não negava mais nada.

Não fugia mais.

Só… a verdade permanecia.

“Eu nunca morri”, disse ele.

Meu mundo… desmoronou pela terceira vez.

…O quê?”

“O funeral foi real. Mas o homem dentro do caixão… não era eu.”

Meus ouvidos zumbiam.

“Por quê…?” sussurrei. “Por que você fez isso comigo…?”

Ele fechou os olhos por um segundo.

Quando os abriu… havia dor em seu olhar.

“Porque eu não tinha outra escolha.”

Ele se aproximou lentamente de mim.

“Antes de ‘morrer’… eu me envolvi em algo muito grande. Achei que conseguiria controlar.” Mas não… a situação saiu do controle.”

Dei um passo para trás.

“Para quê…?”

Ele balançou a cabeça.

“Não posso te dizer. Quanto mais você souber… mais perigo você corre.”

“Eu já estou em perigo!” Comecei a chorar. Acabei de seguir um homem que era a cara do meu marido até um lugar cheio de fotos minhas! Você acha mesmo que eu posso fingir que nada está errado?

Ele ficou em silêncio.

Um longo silêncio.

Então ele disse algo que me paralisou:

“Eu estive te observando… por cinco meses.”

Senti como se o mundo tivesse parado.

“…O quê?”

“Eu precisava garantir que você estivesse segura. Todos os dias. Em todos os lugares que você fosse.”

As lágrimas continuaram caindo.

“Então por que você não apareceu?”

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