Meu filho deu seu guarda-chuva para uma senhora grávida desconhecida na chuva. Na manhã seguinte, 47 guarda-chuvas apareceram em nosso jardim, cada um em uma caixa numerada que me deixou sem fôlego.

Seu pai estaria orgulhoso de você.

Eu o vesti com roupas secas e preparei um chocolate quente com marshmallows demais. Ele sentou-se à mesa da cozinha, com a caneca nas mãos.

“Você acha que ele vai trazer de volta?”, perguntou. “Eu disse a ele onde moramos.”

“Não sei, querido. Mas talvez ele nos surpreenda.”

“Talvez”, disse ele baixinho.

***

Mais tarde, depois que ele foi para a cama, toquei no gancho vazio perto da porta. As chaves de Darren, seu boné, seu casaco e, depois de sua morte, o guarda-chuva de Eli, estavam todos pendurados ali.

“Eu sei que você estaria orgulhoso dele”, sussurrei. “Mas eu ainda queria que aquele guarda-chuva voltasse para casa.”

“Talvez ele nos surpreenda.”

Três manhãs depois, abri a porta para pegar o jornal e deixei cair minha caneca de café. Ela se estilhaçou na varanda.

Café quente espirrou no meu tornozelo, mas mal senti. Tudo o que eu via era meu gramado, coberto de guarda-chuvas abertos.

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Quarenta e sete deles.

Estavam perfeitamente alinhados, da caixa de correio ao bordo. Debaixo de cada guarda-chuva havia uma pequena caixa branca com um número pintado na tampa.

Numerados de 1 a 47.

Café quente espirrou no meu tornozelo.

“Mãe?” Eli chamou atrás de mim.

Ele saiu para a varanda descalço, com o cabelo despenteado.

“Cuidado!” avisei. “Deixei cair minha xícara. Não pise no vidro.”

“O que é isso?” ele perguntou.

“Por que a Sra. Sarah está nos filmando, mãe?”

Isso me despertou de repente.

Os vizinhos estavam reunidos na calçada, vários deles com seus celulares em mãos.

“Não pise no vidro!”

“Sarah!” gritei. “Abaixa o celular! Você sabe que eu não gosto que filmem o Eli.”

Ela abaixou o celular até a metade. “Carina, ele é lindo! Você não viu no Facebook?”

Meu estômago embrulhou. “O que tem no Facebook?”

Um homem de duas casas adiante gritou: “Carina, o Eli é famoso!”

Meu filho estava atrás de mim.

Passei para a frente dele. “Todo mundo, abaixem os celulares! Agora! Ele é só uma criança.”

Algumas pessoas pareceram constrangidas. Outras abaixaram os celulares lentamente.

“O que tem no Facebook?”

Atravessei a grama molhada, com meu roupão arrastando nos tornozelos. Eli ficou ao meu lado.

O primeiro guarda-chuva era azul-escuro. A caixa embaixo tinha uma etiqueta amarrada na tampa.

“Para o Eli.”

“Fica longe, campeão”, eu disse a ele.

“Mãe, tem meu nome nele.”

“Eu sei. Mas não sabemos quem colocou aqui. Então vou abrir primeiro.”

Ele assentiu.

Ajoelhei-me e levantei a tampa.

Então gritei.

O primeiro guarda-chuva era azul-escuro.

Dentro havia um pacote bem embrulhado em tecido azul.

Por um segundo horrível, pareceu estranho e suspeito.

Então vi o cabo de madeira, o botão prateado e o nome de Eli escrito com a letra do meu marido.

Eli sentou-se ao meu lado, desanimado. “É do papai”, sussurrou.

“Sim.”

“Como foi parar aqui?”

Ele olhou para as caixas, depois para os vizinhos. Empalideceu.

“Mãe, precisamos ligar para alguém. Talvez para a polícia. Isso é assustador.”

“Como foi parar aqui?”

“Eu sei. Não vamos mexer em mais nada até eu saber quem fez isso.”

“Espera! Tem um bilhete”, disse Eli. ***

Olhei para baixo. Havia um pedaço de papel dobrado enfiado sob a alça do guarda-chuva.

“Leia”, ele sussurrou.

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