Homens como Arturo só leem nomes quando acham que lhes pertencem.
Depois que ele e Camila desapareceram no elevador, a recepcionista fez uma ligação discreta.
“Ela está aqui.”
Sete andares abaixo, Mariana estava sentada em uma sala de reuniões com Octavio Barrios, o advogado da família há trinta anos. Ela vestia um terno azul-marinho e tinha o rosto de uma mulher que já havia parado de chorar.
Octavio colocou uma pasta grossa sobre a mesa.
“Ela chegou com Camila Ríos. Suíte Presidencial. Jantar amanhã às oito.”
Mariana olhou para a pasta.
“Ela escolheu este hotel.”
“Ela poderia ter escolhido qualquer um”, disse Octavio. “Mas escolheu o seu.”
Por anos, Arturo convenceu Mariana de que não entendia de finanças. Depois da morte do pai dela, ele a aconselhou, orientou e persuadiu a assinar documentos. Ela confiava nele.
Então ela descobriu a verdade.
Ele havia movimentado dinheiro sem permissão. Ele havia usado o nome Alvarado para negócios pessoais. Ele havia colocado em risco as propriedades da família. Ele se gabava para os investidores de ter salvado a empresa de uma “herdeira sentimental”.
Por quatorze meses, Mariana não o confrontou.
Ela documentou tudo.
E-mails.
Contratos.
Transferências bancárias.
Gravações de áudio.
Assinaturas falsificadas.
E agora, enquanto Arturo brindava com outra mulher lá em cima, Mariana estava pronta.
“As contas estão protegidas?”, perguntou ela.
Octavio assentiu. “Sim. Os fundos fiduciários estão seguros. Os papéis do divórcio estão prontos. O processo civil também. Sua empresa receberá o relatório na segunda-feira.”
Mariana respirou fundo.
“Então, amanhã.”
Naquela noite, Arturo pediu champanhe, lagosta e sobremesas decoradas com ouro comestível. Ele falava de Mariana como se ela fosse uma antiguidade em uma bela casa.
Camila perguntou se Mariana suspeitava de alguma coisa.
Arturo riu.
“Mariana não consegue nem ler um extrato bancário sem mim.”
Mas Camila continuava vendo a letra A em todos os lugares: nos guardanapos, nas xícaras, nos roupões e no cartão de boas-vindas.
O cartão dizia:
“Esperamos que sua estadia no Gran Hotel Alvarado seja inesquecível. Queremos que você se sinta em casa.”
Pela primeira vez, Arturo sentiu como se algo estivesse lhe escapando por entre os dedos.
PARTE 2
Na noite seguinte, o restaurante do Gran Hotel Alvarado estava perfeitamente tranquilo.
Uma música suave tocava. Toalhas de mesa brancas cobriam todas as mesas. Taças de cristal refletiam a luz quente do lustre. Arturo estava sentado à mesa 7, de costas para a entrada, enquanto Camila olhava ao redor nervosamente.
“Sinto que todos estão nos observando”, disse ela.
Arturo sorriu.
“Eles estão nos observando porque reconhecem nossa importância.”
Às 8h12, enquanto Arturo falava com arrogância sobre negócios e visão, Sergio Molina, o gerente do hotel, estava perto da entrada do restaurante com Octavio.
Três passos atrás deles estava Mariana.
Ela vestia um terno azul-escuro, sapatos de salto pretos e não havia lágrimas em seus olhos.
Ela caminhava como uma mulher que finalmente recuperara uma chave que jamais deveria ter perdido.
O ambiente não ficou em silêncio, mas a atmosfera mudou.
Camila a viu primeiro.
Seu rosto empalideceu.
Arturo percebeu e se virou.
Por dois segundos, ele não conseguiu compreender o que estava vendo.
Então, ele se levantou.
“Mariana.”
“Arturo.”
Sua voz era calma, e isso o assustou mais do que a raiva.
Mariana olhou para Camila.
“Você deve ser Camila Ríos.”
Camila ficou parada, desconfortável. “Eu não sabia…”
“Sabeva sim”, disse Mariana. “O que você não sabia era onde estava.”
Arturo cerrou os dentes.
“Mariana, este não é o lugar.”
Ela olhou ao redor do restaurante: as luzes, os pratos, o emblema nas paredes.
“Você está enganado. Este é exatamente o lugar.”
Octavio lhe entregou uma pasta.
Mariana a colocou ao lado da de Arturo.
Taça de vinho.
“Você está sentada à minha mesa, no meu restaurante, dentro do meu hotel.”
Arturo soltou uma risada seca.
“Seu hotel?”
Mariana não pestanejou.
“O Gran Hotel Alvarado pertence ao Grupo Alvarado. Meu pai o fundou. E depois de separar as contas, corrigir suas transações e restabelecer o controle legal, ele está novamente sob minha total responsabilidade.”
Camila cobriu a boca com a mão.
Arturo baixou a voz. “Você não sabe do que está falando.”
“Eu sei as datas, assinaturas, transferências, contratos e registros”, respondeu Mariana.
Então, ela abriu a pasta.
Ela listou tudo.
Procurações vencidas.
Movimentações de capital não autorizadas.
Dívidas privadas garantidas pelo nome Alvarado.
Mentiras para sócios.
Uma suíte presidencial reservada com um funcionário da própria empresa enquanto ela alegava estar em Monterrey.
Camila olhou para Arturo, esperando que ele a defendesse.
Ele nem sequer olhou para ela.
Aquele silêncio destruiu sua ilusão.
Sérgio deu um passo à frente.
“Senhorita Ríos, um carro está esperando por você na saída lateral. Você receberá uma notificação formal do RH na segunda-feira.”
Camila pegou a bolsa com as mãos trêmulas.
“Desculpe”, sussurrou.
Mariana não disse nada.
Camila