Com vontade.
Com amor pela escolha, sem imposição.
Com o tempo, abrimos outra pequena filial em um bairro próximo.
Não era uma rede de restaurantes.
Não era uma grande empresa.
Não era nosso sonho sermos famosos.
Tudo o que queríamos era mais espaço para fazer a mesma coisa.
Subsídios funcionam.
Oferecer comida.
Oferecer respeito.
Às vezes as pessoas me perguntam:
Você não tem nenhum arrependimento?
Não dói lembrar o que aconteceu?
Responda honestamente.
Sim, dói.
Algumas lembranças nunca perdem a intensidade.
Mas a dor não pesa mais como antes.
Porque percebi algo que ninguém me ensinou na minha juventude.
A vida não acaba quando aquilo que você considerava seguro lhe é tirado.
Às vezes, você recomeça ali.
Eu ainda acordo cedo.
Eu ainda cozinho com as minhas mãos. Eu ainda recebo cada cliente como se fosse a primeira vez. Mas quando alguém me diz: “Você teve muita sorte de superar tudo isso”,
eu sorrio.
Porque não foi sorte.
Foram as ruas que me ensinaram a ter paciência.
Foram estranhos que me olharam nos olhos quando eu caí.
Foi a dor que me obrigou a descobrir a minha força.
E naquele dia, o dia em que a porta se fechou para mim, foi o dia em que a única porta que merecia ser aberta, se abriu.
A porta da vida finalmente se tornou minha.